É a economia que o Brasil terá, em 2007, com a adoção do biodiesel, combustível feito de óleos vegetais. O cálculo foi realizado pela área técnica da Petrobras e leva em conta a economia na importação de óleo diesel.
Terça-feira, Dezembro 12, 2006
ROBERTO RODRIGUES - Empreendedor do ano.
Isto é Dinheiro.
Como ministro da Agricultura, ele lançou a semente da transformação do País na potência da agroenergia. Na iniciativa privada, pretende plantar ainda mais.
Para o mundo da agropecuária, o espaço é irrisório. Ocupa apenas 20 metros quadrados, não muito afastados da imponente sede da Fazenda Santa Izabel, em Jaboticabal, interior de São Paulo. Mas que colheita se faz ali. No minifúndio (ou seria microfúndio?) hiperprodutivo de Roberto Rodrigues brotam centenas de troféus, milhares de artigos, diplomas em abundância – não há mais paredes suficientes para eles no escritório que o ex-ministro da Agricultura mantém no seu refúgio rural. Rodrigues, agricultor há 50 anos, semeou lá dentro as primeiras 80 páginas de um romance que conta a história do desenvolvimento da região a partir da prosa de quatro amigos em torno de uma mesa de truco e cachaça. Mas essa planta, desde 2003, ele não tem podido regar. Que não o tenham como homem de obras inacabadas. Desde que assumiu o Ministério, no início do primeiro governo Lula, Rodrigues foi muito pouco à Santa Izabel, administrada com competência pelo filho Paulo. Longe de lá, dedicou-se integralmente a cultivar projetos mais ambiciosos e fazê-los germinar no árido solo político de Brasília. Ao sair, em maio passado, deixou terreno pronto para uma nova era na agropecuária brasileira. Florescem hoje no solo brasiliense medidas como o novo seguro rural, uma série de novos instrumentos de crédito agrícola junto ao mercado de capitais, medidas de rastreabilidade para a pecuária, a regulamentação dos produtos orgânicos, a nova lei dos transgênicos, o incentivo à agroenergia e uma série de outros projetos ajudam a estruturar a produção nacional e torná-la menos suscetível ao sobe-e-desce cíclico da agropecuária. “O que eu plantei nesse período será colhido em quatro ou cinco anos”, prevê Rodrigues.
A fartura de iniciativas públicas, por si só, já o credenciaria à escolha como Empreendedor do Ano no Agronegócio. O que dizer, então, de sua incrível fertilidade na volta ao setor privado? Ao invés de se recolher à fazenda, Rodrigues foi semear em outros campos, do acadêmico ao dos investimentos. “Continuo trabalhando 16 horas por dia”, diz. Com menos tempo em sua rotina, dificilmente daria conta de comandar a GV Agro – Centro de Estudos de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, criado sob medida para aproveitar a expertise do ex-ministro –, presidir o Conselho Superior de Agronegócio da Fiesp, atuar como pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP e montar um fundo para atrair investimentos, nacionais e estrangeiros, voltados a financiar projetos para produção de álcool e biodiesel. “Está cheio de dinheiro no mundo procurando por bons projetos”, afirma Rodrigues. “Acho que tenho credibilidade para atrair uma pequena parte desses recursos.” Quem é do mercado garante que, com o apelo do nome do ex-ministro e a demanda internacional por projetos na área de bioenergia, não seria improvável que o fundo captasse, logo de início, US$ 200 milhões. Rodrigues tem clara noção do valor de seu capital pessoal. Durante décadas, o engenheiro agrônomo, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e da Organização das Cooperativas do Brasil, montou uma extensa rede de relacionamentos por todo o País que lhe permite reunir os maiores especialistas em cada área em qualquer ponto do nosso território. “Seja o que o investidor quiser, terá sempre o que há de melhor”, oferece.
A agroenergia impulsiona Rodrigues a pensar alto sem tirar os pés da terra. Outra semente que ele vem plantando cuidadosamente é a criação de um centro de excelência mundial para a produção de etanol e biodiesel. O modelo não podia ser menos ambicioso: o consagrado Massachusetts Institute of Technology (MIT), templo americano da chamada Nova Economia. Para criar o MIT brasileiro da bioenergia, Rodrigues já costura uma união de três respeitadas entidades nacionais: a própria FGV, a Embrapa e a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq). “Temos condições de criar aqui o padrão tecnológico para a agroenergia, seja na produção de equipamentos, na pesquisa genética ou na formação de recursos humanos para desenvolver esse novo setor mundo afora”, propõe.
A capacidade intelectual e produtiva e a facilidade de transformar conceitos acadêmicos em lições práticas são algumas das marcas de Rodrigues. São tão fortes e consolidadas que nem mesmo a grave crise que abalou o agronegócio durante sua gestão no Ministério conseguiu abalar seu prestígio. O ex-ministro não foge do tema. “Houve uma perda de renda de R$ 30 bilhões no setor nos últimos anos”, calcula. “Vivemos o pior quadro dos últimos 40 anos.” Ao assumir o cargo, Rodrigues já sabia que teria pela frente um período de vacas magras, típico dos ciclos da agropecuária. Mas uma conjunção perversa de fatores negativos – climáticos e macroeconômicos – tornou ainda mais fundo o poço do setor. Tratoraços de protestos rumaram para Brasília, mas a imagem de Rodrigues jamais foi atacada. “Como ministro, ele fez o máximo com os recursos que tinha”, avalia José Batista Júnior, presidente do conselho administrativo do frigorífico Friboi. Essa certeza tranqüiliza Rodrigues. “Muita coisa foi feita, mas a crise consumiu a atenção política”, analisa o ex-ministro. Como exemplo, cita a determinante participação que teve na criação do G-20, grupo de países emergentes formado como contraponto às pressões de Estados Unidos e União Européia nas negociações internacionais sobre eliminação de subsídios agrícolas. Costurado pela Ministério das Relações Exteriores brasileiro, a formação do G-20 foi desenhada no gabinete de Rodrigues. “Roberto Rodrigues foi um grande ministro da Agricultura”, resume João de Almeida Sampaio Filho, presidente da Sociedade Rural Brasileira. “Não só pelo que fez, mas pelo que não deixou que fizessem.” E será um grande ex-ministro pelo que fará.

Como ministro da Agricultura, ele lançou a semente da transformação do País na potência da agroenergia. Na iniciativa privada, pretende plantar ainda mais.
Para o mundo da agropecuária, o espaço é irrisório. Ocupa apenas 20 metros quadrados, não muito afastados da imponente sede da Fazenda Santa Izabel, em Jaboticabal, interior de São Paulo. Mas que colheita se faz ali. No minifúndio (ou seria microfúndio?) hiperprodutivo de Roberto Rodrigues brotam centenas de troféus, milhares de artigos, diplomas em abundância – não há mais paredes suficientes para eles no escritório que o ex-ministro da Agricultura mantém no seu refúgio rural. Rodrigues, agricultor há 50 anos, semeou lá dentro as primeiras 80 páginas de um romance que conta a história do desenvolvimento da região a partir da prosa de quatro amigos em torno de uma mesa de truco e cachaça. Mas essa planta, desde 2003, ele não tem podido regar. Que não o tenham como homem de obras inacabadas. Desde que assumiu o Ministério, no início do primeiro governo Lula, Rodrigues foi muito pouco à Santa Izabel, administrada com competência pelo filho Paulo. Longe de lá, dedicou-se integralmente a cultivar projetos mais ambiciosos e fazê-los germinar no árido solo político de Brasília. Ao sair, em maio passado, deixou terreno pronto para uma nova era na agropecuária brasileira. Florescem hoje no solo brasiliense medidas como o novo seguro rural, uma série de novos instrumentos de crédito agrícola junto ao mercado de capitais, medidas de rastreabilidade para a pecuária, a regulamentação dos produtos orgânicos, a nova lei dos transgênicos, o incentivo à agroenergia e uma série de outros projetos ajudam a estruturar a produção nacional e torná-la menos suscetível ao sobe-e-desce cíclico da agropecuária. “O que eu plantei nesse período será colhido em quatro ou cinco anos”, prevê Rodrigues.
A fartura de iniciativas públicas, por si só, já o credenciaria à escolha como Empreendedor do Ano no Agronegócio. O que dizer, então, de sua incrível fertilidade na volta ao setor privado? Ao invés de se recolher à fazenda, Rodrigues foi semear em outros campos, do acadêmico ao dos investimentos. “Continuo trabalhando 16 horas por dia”, diz. Com menos tempo em sua rotina, dificilmente daria conta de comandar a GV Agro – Centro de Estudos de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, criado sob medida para aproveitar a expertise do ex-ministro –, presidir o Conselho Superior de Agronegócio da Fiesp, atuar como pesquisador do Instituto de Estudos Avançados da USP e montar um fundo para atrair investimentos, nacionais e estrangeiros, voltados a financiar projetos para produção de álcool e biodiesel. “Está cheio de dinheiro no mundo procurando por bons projetos”, afirma Rodrigues. “Acho que tenho credibilidade para atrair uma pequena parte desses recursos.” Quem é do mercado garante que, com o apelo do nome do ex-ministro e a demanda internacional por projetos na área de bioenergia, não seria improvável que o fundo captasse, logo de início, US$ 200 milhões. Rodrigues tem clara noção do valor de seu capital pessoal. Durante décadas, o engenheiro agrônomo, ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira e da Organização das Cooperativas do Brasil, montou uma extensa rede de relacionamentos por todo o País que lhe permite reunir os maiores especialistas em cada área em qualquer ponto do nosso território. “Seja o que o investidor quiser, terá sempre o que há de melhor”, oferece.
A agroenergia impulsiona Rodrigues a pensar alto sem tirar os pés da terra. Outra semente que ele vem plantando cuidadosamente é a criação de um centro de excelência mundial para a produção de etanol e biodiesel. O modelo não podia ser menos ambicioso: o consagrado Massachusetts Institute of Technology (MIT), templo americano da chamada Nova Economia. Para criar o MIT brasileiro da bioenergia, Rodrigues já costura uma união de três respeitadas entidades nacionais: a própria FGV, a Embrapa e a Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz (Esalq). “Temos condições de criar aqui o padrão tecnológico para a agroenergia, seja na produção de equipamentos, na pesquisa genética ou na formação de recursos humanos para desenvolver esse novo setor mundo afora”, propõe.
A capacidade intelectual e produtiva e a facilidade de transformar conceitos acadêmicos em lições práticas são algumas das marcas de Rodrigues. São tão fortes e consolidadas que nem mesmo a grave crise que abalou o agronegócio durante sua gestão no Ministério conseguiu abalar seu prestígio. O ex-ministro não foge do tema. “Houve uma perda de renda de R$ 30 bilhões no setor nos últimos anos”, calcula. “Vivemos o pior quadro dos últimos 40 anos.” Ao assumir o cargo, Rodrigues já sabia que teria pela frente um período de vacas magras, típico dos ciclos da agropecuária. Mas uma conjunção perversa de fatores negativos – climáticos e macroeconômicos – tornou ainda mais fundo o poço do setor. Tratoraços de protestos rumaram para Brasília, mas a imagem de Rodrigues jamais foi atacada. “Como ministro, ele fez o máximo com os recursos que tinha”, avalia José Batista Júnior, presidente do conselho administrativo do frigorífico Friboi. Essa certeza tranqüiliza Rodrigues. “Muita coisa foi feita, mas a crise consumiu a atenção política”, analisa o ex-ministro. Como exemplo, cita a determinante participação que teve na criação do G-20, grupo de países emergentes formado como contraponto às pressões de Estados Unidos e União Européia nas negociações internacionais sobre eliminação de subsídios agrícolas. Costurado pela Ministério das Relações Exteriores brasileiro, a formação do G-20 foi desenhada no gabinete de Rodrigues. “Roberto Rodrigues foi um grande ministro da Agricultura”, resume João de Almeida Sampaio Filho, presidente da Sociedade Rural Brasileira. “Não só pelo que fez, mas pelo que não deixou que fizessem.” E será um grande ex-ministro pelo que fará.
EUA renovam taxa de importação de etanol.
Reuters, em 11/12/2006.
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na sexta-feira (08/12) a renovação da atual tarifa para a importação de etanol até janeiro de 2009. A suspensão dessa tarifa, de 54 centavos de dólar por galão, era uma reivindicação do governo brasileiro, para ter maior acesso ao mercado norte-americano num setor onde o Brasil é altamente competitivo. A extensão da tarifa precisa agora passar pelo Senado. A taxa por muitos anos impediu a entrada de etanol do Brasil nos EUA. Neste ano, contudo, com a alta dos preços locais da gasolina e o aumento da demanda por etanol como substituto do MTBE as vendas diretas do Brasil foram viabilizadas, e os EUA acabaram se tornando o principal mercado para o produto brasileiro, mesmo pagando a tarifa.
Apesar de renovar a sobretaxa sobre o álcool brasileiro, o Congresso americano aprovou na madrugada de ontem a renovação por dois anos do Sistema Geral de Preferências (SGP), que permite a entrada de alguns produtos importados do Brasil sem o pagamento de tarifas.
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou na sexta-feira (08/12) a renovação da atual tarifa para a importação de etanol até janeiro de 2009. A suspensão dessa tarifa, de 54 centavos de dólar por galão, era uma reivindicação do governo brasileiro, para ter maior acesso ao mercado norte-americano num setor onde o Brasil é altamente competitivo. A extensão da tarifa precisa agora passar pelo Senado. A taxa por muitos anos impediu a entrada de etanol do Brasil nos EUA. Neste ano, contudo, com a alta dos preços locais da gasolina e o aumento da demanda por etanol como substituto do MTBE as vendas diretas do Brasil foram viabilizadas, e os EUA acabaram se tornando o principal mercado para o produto brasileiro, mesmo pagando a tarifa.
Apesar de renovar a sobretaxa sobre o álcool brasileiro, o Congresso americano aprovou na madrugada de ontem a renovação por dois anos do Sistema Geral de Preferências (SGP), que permite a entrada de alguns produtos importados do Brasil sem o pagamento de tarifas.
Japão usará etanol brasileiro a partir de 2010.
Agência Estado, em 12/12/2006.
Algumas centrais de energia elétrica do Japão começarão a utilizar o álcool produzido pela Petrobras a partir de 2010, informa a imprensa japonesa nesta segunda-feira.
O Japão produz atualmente dois terços da eletricidade que consome em estações térmicas operadas com combustíveis fósseis como carvão, petróleo ou gás natural, e, embora o álcool seja mais caro a curto prazo, seu uso é necessário para reduzir a poluição, segundo o jornal Nihon Keizai.
A Petrobras trabalhará com a importadora japonesa Mitsui para enviar 3 bilhões de litros por ano ao Japão, segundo o jornal, que menciona a Tokyo Electric Power como uma das empresas interessadas em usar o álcool em suas centrais.
O álcool é considerado uma substância livre de dióxido de carbono pelo Protocolo de Kyoto (sobre o reaquecimento atmosférico), já que o cultivo de cana-de-açúcar absorve os gases causadores do calor.
O Brasil, o primeiro produtor mundial de álcool, planeja duplicar sua produção do combustível a 30 bilhões de litros até 2014, segundo a mesma fonte.
Algumas centrais de energia elétrica do Japão começarão a utilizar o álcool produzido pela Petrobras a partir de 2010, informa a imprensa japonesa nesta segunda-feira.
O Japão produz atualmente dois terços da eletricidade que consome em estações térmicas operadas com combustíveis fósseis como carvão, petróleo ou gás natural, e, embora o álcool seja mais caro a curto prazo, seu uso é necessário para reduzir a poluição, segundo o jornal Nihon Keizai.
A Petrobras trabalhará com a importadora japonesa Mitsui para enviar 3 bilhões de litros por ano ao Japão, segundo o jornal, que menciona a Tokyo Electric Power como uma das empresas interessadas em usar o álcool em suas centrais.
O álcool é considerado uma substância livre de dióxido de carbono pelo Protocolo de Kyoto (sobre o reaquecimento atmosférico), já que o cultivo de cana-de-açúcar absorve os gases causadores do calor.
O Brasil, o primeiro produtor mundial de álcool, planeja duplicar sua produção do combustível a 30 bilhões de litros até 2014, segundo a mesma fonte.
Setor de etanol vai girar US$ 9 bilhões em seis anos.
Por Luiz Silveira / Theo Carnier, em 12/12/2006.
O mercado de etanol do Brasil já tem volume de US$ 5,4 bilhões, de acordo com estudiosos do mercado, e até 2012 estará em pelo menos US$ 9 bilhões. Além disso, a produção deve saltar dos cerca de 18 bilhões para um nível próximo a 30 bilhões de litros em seis anos. Os dados, que confirmam o crescimento exponencial do setor, fazem parte de estudo realizado pela empresa de consultoria americana Frost & Sullivan.
Por sua vez, Christoph Berg, diretor da F.O. Licht, consultoria alemã especializada em commodities, previu que o Brasil vai liderar a exportação de etanol no mundo. Ele colocou o País como número um entre os exportadores do produto nas Américas — que, na avaliação do especialista, serão o continente líder nas vendas externas de etanol, com cerca de 6 bilhões de litros em 2015.
Mercado promissor
No estudo da Frost & Sullivan, a taxa de crescimento da produção foi calculada em 14%. A empresa apresentou, em novembro, levantamento sobre o mercado de biodiesel, que foi avaliado em US$ 1,8 bilhão em 2012.
Segundo o levantamento sobre etanol, o crescimento das exportações brasileiras deve acontecer para clientes tradicionais, como Índia, Venezuela e Nigéria, e para novos alvos, como Japão e Estados Unidos.
Pelos dados do levantamento, o mercado de etanol brasileiro tem participantes tradicionais como Copersucar, Cosan, Crystalsev, Nova América e Itamarati, e existem novos “sócios” de peso para esse clube, como Cargill, Tereos, Evergreen, LouisDreyfus e Kidd & Company.
O estudo da Frost & Sullivan aponta entre os pontos positivos para o etanol no Brasil o suporte do governo ao setor e as novas usinas que estão sendo instaladas.
Como itens que podem atrapalhar o mercado foram alinhadas as dificuldades em conseguir crédito, as altas taxas de juros e a taxa de câmbio pouco favorável.
Quanto aos outros países da América Latina com potencial para desenvolver o etanol, o levantamento lembra a Colômbia, com 267 milhões de litros em 2005, e o México, com 50 milhões. Em biodiesel, foram listadas a Argentina (685 milhões de litros em potencial em 2009) e a Colômbia (330 milhões de litros em 2008).
Fornecedor para o mundo
Também Cristoph Berg, da F.O. Licht, considera que as Américas serão o principal fornecedor de etanol, com Ásia e Europa aparecendo como importadores líquidos, incentivados pela crescente demanda por energia limpa. Ele considera que a África poderá ser uma pequena exportadora a partir do ano 2015.
“As Américas vão liderar a exportação, principalmente o Brasil, mas espera-se quantidades adicionais de regiões menores da América Latina”.
O especialista lembrou que houve enorme crescimento da capacidade de produção de etanol nos Estados Unidos e que, por isso, o país pode se tornar exportador em alguns anos, embora continue a dar prioridade ao mercado interno.
De acordo com as últimas pesquisas, os Estados Unidos deverão produzir no mínimo 4,7 bilhões de galões de etanol este ano. “Se tudo correr bem, a capacidade de produção de etanol chegará a 8 bilhões de galões nos Estados Unidos no final do próximo ano”, disse Berg.
Os norte-americanos importam etanol, principalmente do Brasil. Segundo Berg, as exportações do produto do Brasil devem crescer em um terço este ano, para um nível recorde, principalmente em conseqüência da demanda dos Estados Unidos.
Os levantamentos mostram que os Estados Unidos importaram 1,78 bilhão de litros de etanol entre janeiro e setembro, em comparação a 180 milhões de litros no mesmo período do ano anterior. “As importações americanas cresceram pela disponibilidade de produto brasileiro mais barato em maio e junho.”
Na avaliação de Berg, o Brasil deve continuar como principal produtor mundial de etanol já que os custos de produção no País são inferiores a US$ 200 por metro cúbico. Os preços globais do produto devem variar entre US$ 400 e US$ 450 por metro cúbico no longo prazo.
Para Berg, da F.O. Licht, “um grande déficit em etanol deve acontecer na Europa em 2015”.
Por sua vez, Christoph Berg, diretor da F.O. Licht, consultoria alemã especializada em commodities, previu que o Brasil vai liderar a exportação de etanol no mundo. Ele colocou o País como número um entre os exportadores do produto nas Américas — que, na avaliação do especialista, serão o continente líder nas vendas externas de etanol, com cerca de 6 bilhões de litros em 2015.
Mercado promissor
No estudo da Frost & Sullivan, a taxa de crescimento da produção foi calculada em 14%. A empresa apresentou, em novembro, levantamento sobre o mercado de biodiesel, que foi avaliado em US$ 1,8 bilhão em 2012.
Segundo o levantamento sobre etanol, o crescimento das exportações brasileiras deve acontecer para clientes tradicionais, como Índia, Venezuela e Nigéria, e para novos alvos, como Japão e Estados Unidos.
Pelos dados do levantamento, o mercado de etanol brasileiro tem participantes tradicionais como Copersucar, Cosan, Crystalsev, Nova América e Itamarati, e existem novos “sócios” de peso para esse clube, como Cargill, Tereos, Evergreen, LouisDreyfus e Kidd & Company.
O estudo da Frost & Sullivan aponta entre os pontos positivos para o etanol no Brasil o suporte do governo ao setor e as novas usinas que estão sendo instaladas.
Como itens que podem atrapalhar o mercado foram alinhadas as dificuldades em conseguir crédito, as altas taxas de juros e a taxa de câmbio pouco favorável.
Quanto aos outros países da América Latina com potencial para desenvolver o etanol, o levantamento lembra a Colômbia, com 267 milhões de litros em 2005, e o México, com 50 milhões. Em biodiesel, foram listadas a Argentina (685 milhões de litros em potencial em 2009) e a Colômbia (330 milhões de litros em 2008).
Fornecedor para o mundo
Também Cristoph Berg, da F.O. Licht, considera que as Américas serão o principal fornecedor de etanol, com Ásia e Europa aparecendo como importadores líquidos, incentivados pela crescente demanda por energia limpa. Ele considera que a África poderá ser uma pequena exportadora a partir do ano 2015.
“As Américas vão liderar a exportação, principalmente o Brasil, mas espera-se quantidades adicionais de regiões menores da América Latina”.
O especialista lembrou que houve enorme crescimento da capacidade de produção de etanol nos Estados Unidos e que, por isso, o país pode se tornar exportador em alguns anos, embora continue a dar prioridade ao mercado interno.
De acordo com as últimas pesquisas, os Estados Unidos deverão produzir no mínimo 4,7 bilhões de galões de etanol este ano. “Se tudo correr bem, a capacidade de produção de etanol chegará a 8 bilhões de galões nos Estados Unidos no final do próximo ano”, disse Berg.
Os norte-americanos importam etanol, principalmente do Brasil. Segundo Berg, as exportações do produto do Brasil devem crescer em um terço este ano, para um nível recorde, principalmente em conseqüência da demanda dos Estados Unidos.
Os levantamentos mostram que os Estados Unidos importaram 1,78 bilhão de litros de etanol entre janeiro e setembro, em comparação a 180 milhões de litros no mesmo período do ano anterior. “As importações americanas cresceram pela disponibilidade de produto brasileiro mais barato em maio e junho.”
Na avaliação de Berg, o Brasil deve continuar como principal produtor mundial de etanol já que os custos de produção no País são inferiores a US$ 200 por metro cúbico. Os preços globais do produto devem variar entre US$ 400 e US$ 450 por metro cúbico no longo prazo.
Para Berg, da F.O. Licht, “um grande déficit em etanol deve acontecer na Europa em 2015”.
Empresa nasce para desenvolver e fabricar equipamento que extrai hidrogênio de etanol e gás; tecnologia é estratégica para o País.
Portal Inovação Unicamp, em 11/12/2006.
Nasceu no Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física da Unicamp uma empresa que aposta no uso do etanol e do gás natural como fontes de hidrogênio para alimentar as células a combustível do futuro. A HyTron, apoiada pelo Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi fundada em março de 2005 por um grupo de 12 pesquisadores, parte deles ainda muito jovem, recém-graduados ou concluindo o mestrado ou doutorado. O objetivo da empresa é desenvolver e fabricar reformadores de etanol e de gás natural. Reformador é o equipamento que "reforma" o etanol ou o gás natural do ponto de vista químico para extrair hidrogênio. Uma série de reações ocorre dentro do reformador para quebrar as moléculas do combustível e separar, dentre elas, as moléculas de hidrogênio.
Células a combustível, que usam hidrogênio como combustível, são pouco poluentes, já estão sendo testadas pelas grandes companhias para mover automóveis, podem ser usadas em lugares onde não há energia elétrica, mas ainda apresentam uma desvantagem: o alto custo de sua produção.
Buscar tecnologias para obtenção de hidrogênio a partir de etanol é estratégico para o Brasil. Em todo o mundo, há grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para tornar as células a combustível viáveis — pelo fato de gerarem energia limpa, há esperanças de que possam ser uma fonte significativa de energia no futuro, especialmente para eliminar a poluição causada por automóveis e caminhões. O etanol já se firma como combustível alternativo no presente; se puder também vir a ser usado como fonte de abastecimento para a energia do futuro, então a perspectiva de mercado para a produção brasileira ganhará em longevidade e relevância.
"O álcool é o biocombustível mais importante hoje, mas temos de pensar em longo prazo, em tecnologias que possam ser mais baratas e mais interessantes para o mercado, como é o caso das células a combustível e da futura era do hidrogênio", afirma a engenheira agrônoma Heloisa Burnquist, pesquisadora do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). "Podemos pensar em eras tecnológicas e temos atualmente uma posição privilegiada em relação ao etanol. Precisamos continuar pensando em maneiras de inserir mais vantagens a esses potenciais e novas tecnologias", completa.
Protótipos
A pequena empresa está incubada na Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) e escolheu como foco os pequenos consumidores. Até agora, a empresa chegou a três protótipos, dois de etanol e um de gás natural. Um dos reformadores de etanol foi encomendado pelo Instituto Técnico Aeroespacial da Espanha, para quem deverá ser entregue em janeiro de 2007. O outro, também utilizando etanol, é desenvolvido em parceria com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). O que usa gás natural conta com a participação da CPFL.
A encomenda do Instituto Técnico Aeroespacial da Espanha aconteceu porque o Laboratório de Hidrogênio da Unicamp mantém contato com o Laboratório de Energias Renováveis dessa instituição desde 1992. Com o projeto Vega, um carro movido a hidrogênio que foi desenvolvido no laboratório da Unicamp, houve um trabalho conjunto com o laboratório espanhol sobre armazenamento de hidrogênio. A HyTron não pode revelar o que os espanhóis querem fazer com o reformador que compraram do Brasil, pois o instituto lida com pesquisas da área de militar, o que envolve a segurança nacional.
A empresa incubada utiliza equipamentos do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp para fazer os testes diários dos protótipos dos reformadores. Para as atividades de pesquisa, além do apoio do programa PIPE da Fapesp, recebeu também financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e das empresas associadas ao projeto — um total de R$ 400 mil até dezembro de 2006. Do Pipe Fase 1, com o projeto "Desenvolvimento e otimização de unidade integrada de reforma de etanol para produção de hidrogênio" aprovado pela Fapesp, a empresa conseguiu um investimento de R$ 45.479,30.
Como funciona o reformador
O funcionamento dos reformadores de etanol e gás natural é semelhante, apesar dos combustíveis diferentes. No dia em que Inovação visitou o laboratório, a HyTron testava o reformador de etanol encomendado pelos espanhóis. O nome "reformador" refere-se à operação básica que ele realiza, a reação química de reforma. O engenheiro elétrico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) João Carlos Camargo, sócio-fundador da HyTron, explica os processos que ocorrem no reformador enquanto mostra o equipamento em testes no laboratório. Camargo é mestre e doutor em planejamento de sistemas energéticos.
O coração do reformador é o reator de reforma, onde uma mistura composta por 50% de água e 50% de etanol é aquecida até cerca de 700°C. A elevada temperatura quebra as moléculas do etanol; os catalisadores aceleram o processo. Nessa fase, é produzido um gás de síntese, formado principalmente por hidrogênio, monóxido e dióxido de carbono. Esse gás vai para uma seqüência de reatores menores, de onde será extraído mais hidrogênio até que só fique o dióxido de carbono, que será eliminado para a atmosfera. O hidrogênio produzido pelo reformador é aplicado diretamente à célula a combustível, tendo apenas um pequeno reservatório a baixa pressão entre ambos.
O etanol usado atualmente pela HyTron nos testes tem sido doado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). "Estamos produzindo reformadores para abastecer células a combustível que geram cinco quilowatts de potência e requerem cinco metros cúbicos de hidrogênio por hora. Para produzir essa quantidade de hidrogênio, precisamos de três a quatro litros de etanol por hora", diz. A empresa pretende chegar a reformadores para células a combustível de cem quilowatts de potência. O reformador de etanol é movido a etanol; e o reformador de gás natural é movido a gás natural.
Uma parte do etanol ou do gás em processo de reforma é queimada para fornecer a energia para o próprio processo. João Carlos explica que a reação de reforma é endotérmica, ou seja, consome calor para ocorrer. "A quantidade utilizada para fornecer calor à reação esta em torno de 16% a 20% da energia disponível no etanol ou no gás", continua. "Grosso modo, poderíamos dizer que 80% da energia do combustível fica disponível para produção de hidrogênio", completa o empresário.
Fazê-las pequenas
"O desafio dessas máquinas é fazê-las pequenas. Em grandes refinarias já temos equipamentos como esses, mas de grande porte", conta. A HyTron pretende produzir equipamentos menores para o governo e para as empresas de energia. Seus protótipos têm 1,9 metro de altura, 60 centímetros de largura e 1,2 metro de profundidade. "Nos Estados Unidos, as empresas estão testando protótipos nas casas de consumidores", completa. Além dos EUA, Japão e Alemanha estão em estágio avançado na tecnologia dos reformadores. "As empresas do setor elétrico no Brasil estão interessadas nessas máquinas por causa de um novo nicho de mercado, o da geração distribuída, que vem crescendo em outros países e, espera-se, crescerá aqui também", acrescenta. No sistema de geração distribuída, gás natural e resíduos de combustível são utilizados para gerar energia elétrica próximo ao local de consumo. No modelo, as distribuidoras de energia vendem ou alugam pequenos geradores para os consumidores.
A empresa tem mais um ano para continuar incubada. Por isso, trabalha no seu plano de negócios, onde definirá, com números, o seu mercado potencial, quanto de investimento é necessário para os reformadores saírem da fase de protótipo, potenciais investidores, onde ficará a fábrica, quanto produzirá etc. Uma das idéias é instalar a HyTron dentro do parque tecnológico de Campinas, que está sendo organizado. Camargo diz ser muito difícil ainda conseguir recursos para a pesquisa.
O preço do produto final ainda não está estimado. Para fazer um protótipo que produz em torno de dez metros cúbicos por hora de hidrogênio, os custos estão atualmente em torno de R$ 250 mil, segundo Camargo.
Os desafios
"O Brasil não tem um desenvolvimento básico nessa área em componentes vitais. Precisamos importar catalisadores e alguns tipos de materiais de que precisamos para operar em altas temperaturas, como os aços especiais, componentes periféricos", enumera. A burocracia com importação de insumos atrasa o cronograma de testes. A HyTron busca nacionalizar ao máximo sua tecnologia. "Quase 90% da nossa tecnologia é brasileira, muitas das soluções nós mesmos desenvolvemos para nacionalizar o maior número de elementos possível", comenta. Mas há insumos, como os catalisadores, que a empresa não tem como desenvolver internamente; ela é obrigada a importar.
Outro ponto crítico é tornar a empresa viável, economicamente, depois de sair da incubação. "O desafio é viabilizar esse sistema para competir, no futuro, com o diesel. Precisaremos investir para termos ganho de escala", afirma. Uma política de compras governamentais poderia ajudar a empresa, como ocorre nos Estados Unidos. "Lá, o governo compra justamente para que a empresa tenha esse ganho de escala na produção e possa continuar depois no mercado", destaca.
Tecnologia estratégica e mercado nascente
Para se tornarem realmente viável, do ponto de vista comercial, os reformadores de etanol dependem da evolução e do aumento da demanda de células a combustível. Isso não inviabiliza o negócio da HyTron no curto prazo? "Não, porque, primeiro, acreditamos que a tecnologia das células a combustível veio para ficar. Segundo, temos possibilidades de utilizar os reformadores de etanol e gás natural para extrair outros insumos, como o ácido acético e o monóxido de carbono, com aplicações no setor químico", responde Antônio José Marin Neto, físico, pesquisador e sócio da HyTron. (J.S.)
Nasceu no Laboratório de Hidrogênio do Instituto de Física da Unicamp uma empresa que aposta no uso do etanol e do gás natural como fontes de hidrogênio para alimentar as células a combustível do futuro. A HyTron, apoiada pelo Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi fundada em março de 2005 por um grupo de 12 pesquisadores, parte deles ainda muito jovem, recém-graduados ou concluindo o mestrado ou doutorado. O objetivo da empresa é desenvolver e fabricar reformadores de etanol e de gás natural. Reformador é o equipamento que "reforma" o etanol ou o gás natural do ponto de vista químico para extrair hidrogênio. Uma série de reações ocorre dentro do reformador para quebrar as moléculas do combustível e separar, dentre elas, as moléculas de hidrogênio.
Células a combustível, que usam hidrogênio como combustível, são pouco poluentes, já estão sendo testadas pelas grandes companhias para mover automóveis, podem ser usadas em lugares onde não há energia elétrica, mas ainda apresentam uma desvantagem: o alto custo de sua produção.
Buscar tecnologias para obtenção de hidrogênio a partir de etanol é estratégico para o Brasil. Em todo o mundo, há grandes investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) para tornar as células a combustível viáveis — pelo fato de gerarem energia limpa, há esperanças de que possam ser uma fonte significativa de energia no futuro, especialmente para eliminar a poluição causada por automóveis e caminhões. O etanol já se firma como combustível alternativo no presente; se puder também vir a ser usado como fonte de abastecimento para a energia do futuro, então a perspectiva de mercado para a produção brasileira ganhará em longevidade e relevância.
"O álcool é o biocombustível mais importante hoje, mas temos de pensar em longo prazo, em tecnologias que possam ser mais baratas e mais interessantes para o mercado, como é o caso das células a combustível e da futura era do hidrogênio", afirma a engenheira agrônoma Heloisa Burnquist, pesquisadora do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP). "Podemos pensar em eras tecnológicas e temos atualmente uma posição privilegiada em relação ao etanol. Precisamos continuar pensando em maneiras de inserir mais vantagens a esses potenciais e novas tecnologias", completa.
Protótipos
A pequena empresa está incubada na Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) e escolheu como foco os pequenos consumidores. Até agora, a empresa chegou a três protótipos, dois de etanol e um de gás natural. Um dos reformadores de etanol foi encomendado pelo Instituto Técnico Aeroespacial da Espanha, para quem deverá ser entregue em janeiro de 2007. O outro, também utilizando etanol, é desenvolvido em parceria com o Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes). O que usa gás natural conta com a participação da CPFL.
A encomenda do Instituto Técnico Aeroespacial da Espanha aconteceu porque o Laboratório de Hidrogênio da Unicamp mantém contato com o Laboratório de Energias Renováveis dessa instituição desde 1992. Com o projeto Vega, um carro movido a hidrogênio que foi desenvolvido no laboratório da Unicamp, houve um trabalho conjunto com o laboratório espanhol sobre armazenamento de hidrogênio. A HyTron não pode revelar o que os espanhóis querem fazer com o reformador que compraram do Brasil, pois o instituto lida com pesquisas da área de militar, o que envolve a segurança nacional.
A empresa incubada utiliza equipamentos do Laboratório de Hidrogênio da Unicamp para fazer os testes diários dos protótipos dos reformadores. Para as atividades de pesquisa, além do apoio do programa PIPE da Fapesp, recebeu também financiamento da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e das empresas associadas ao projeto — um total de R$ 400 mil até dezembro de 2006. Do Pipe Fase 1, com o projeto "Desenvolvimento e otimização de unidade integrada de reforma de etanol para produção de hidrogênio" aprovado pela Fapesp, a empresa conseguiu um investimento de R$ 45.479,30.
Como funciona o reformador
O funcionamento dos reformadores de etanol e gás natural é semelhante, apesar dos combustíveis diferentes. No dia em que Inovação visitou o laboratório, a HyTron testava o reformador de etanol encomendado pelos espanhóis. O nome "reformador" refere-se à operação básica que ele realiza, a reação química de reforma. O engenheiro elétrico da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) João Carlos Camargo, sócio-fundador da HyTron, explica os processos que ocorrem no reformador enquanto mostra o equipamento em testes no laboratório. Camargo é mestre e doutor em planejamento de sistemas energéticos.
O coração do reformador é o reator de reforma, onde uma mistura composta por 50% de água e 50% de etanol é aquecida até cerca de 700°C. A elevada temperatura quebra as moléculas do etanol; os catalisadores aceleram o processo. Nessa fase, é produzido um gás de síntese, formado principalmente por hidrogênio, monóxido e dióxido de carbono. Esse gás vai para uma seqüência de reatores menores, de onde será extraído mais hidrogênio até que só fique o dióxido de carbono, que será eliminado para a atmosfera. O hidrogênio produzido pelo reformador é aplicado diretamente à célula a combustível, tendo apenas um pequeno reservatório a baixa pressão entre ambos.
O etanol usado atualmente pela HyTron nos testes tem sido doado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). "Estamos produzindo reformadores para abastecer células a combustível que geram cinco quilowatts de potência e requerem cinco metros cúbicos de hidrogênio por hora. Para produzir essa quantidade de hidrogênio, precisamos de três a quatro litros de etanol por hora", diz. A empresa pretende chegar a reformadores para células a combustível de cem quilowatts de potência. O reformador de etanol é movido a etanol; e o reformador de gás natural é movido a gás natural.
Uma parte do etanol ou do gás em processo de reforma é queimada para fornecer a energia para o próprio processo. João Carlos explica que a reação de reforma é endotérmica, ou seja, consome calor para ocorrer. "A quantidade utilizada para fornecer calor à reação esta em torno de 16% a 20% da energia disponível no etanol ou no gás", continua. "Grosso modo, poderíamos dizer que 80% da energia do combustível fica disponível para produção de hidrogênio", completa o empresário.
Fazê-las pequenas
"O desafio dessas máquinas é fazê-las pequenas. Em grandes refinarias já temos equipamentos como esses, mas de grande porte", conta. A HyTron pretende produzir equipamentos menores para o governo e para as empresas de energia. Seus protótipos têm 1,9 metro de altura, 60 centímetros de largura e 1,2 metro de profundidade. "Nos Estados Unidos, as empresas estão testando protótipos nas casas de consumidores", completa. Além dos EUA, Japão e Alemanha estão em estágio avançado na tecnologia dos reformadores. "As empresas do setor elétrico no Brasil estão interessadas nessas máquinas por causa de um novo nicho de mercado, o da geração distribuída, que vem crescendo em outros países e, espera-se, crescerá aqui também", acrescenta. No sistema de geração distribuída, gás natural e resíduos de combustível são utilizados para gerar energia elétrica próximo ao local de consumo. No modelo, as distribuidoras de energia vendem ou alugam pequenos geradores para os consumidores.
A empresa tem mais um ano para continuar incubada. Por isso, trabalha no seu plano de negócios, onde definirá, com números, o seu mercado potencial, quanto de investimento é necessário para os reformadores saírem da fase de protótipo, potenciais investidores, onde ficará a fábrica, quanto produzirá etc. Uma das idéias é instalar a HyTron dentro do parque tecnológico de Campinas, que está sendo organizado. Camargo diz ser muito difícil ainda conseguir recursos para a pesquisa.
O preço do produto final ainda não está estimado. Para fazer um protótipo que produz em torno de dez metros cúbicos por hora de hidrogênio, os custos estão atualmente em torno de R$ 250 mil, segundo Camargo.
Os desafios
"O Brasil não tem um desenvolvimento básico nessa área em componentes vitais. Precisamos importar catalisadores e alguns tipos de materiais de que precisamos para operar em altas temperaturas, como os aços especiais, componentes periféricos", enumera. A burocracia com importação de insumos atrasa o cronograma de testes. A HyTron busca nacionalizar ao máximo sua tecnologia. "Quase 90% da nossa tecnologia é brasileira, muitas das soluções nós mesmos desenvolvemos para nacionalizar o maior número de elementos possível", comenta. Mas há insumos, como os catalisadores, que a empresa não tem como desenvolver internamente; ela é obrigada a importar.
Outro ponto crítico é tornar a empresa viável, economicamente, depois de sair da incubação. "O desafio é viabilizar esse sistema para competir, no futuro, com o diesel. Precisaremos investir para termos ganho de escala", afirma. Uma política de compras governamentais poderia ajudar a empresa, como ocorre nos Estados Unidos. "Lá, o governo compra justamente para que a empresa tenha esse ganho de escala na produção e possa continuar depois no mercado", destaca.
Tecnologia estratégica e mercado nascente
Para se tornarem realmente viável, do ponto de vista comercial, os reformadores de etanol dependem da evolução e do aumento da demanda de células a combustível. Isso não inviabiliza o negócio da HyTron no curto prazo? "Não, porque, primeiro, acreditamos que a tecnologia das células a combustível veio para ficar. Segundo, temos possibilidades de utilizar os reformadores de etanol e gás natural para extrair outros insumos, como o ácido acético e o monóxido de carbono, com aplicações no setor químico", responde Antônio José Marin Neto, físico, pesquisador e sócio da HyTron. (J.S.)
Workshop para subsidiar políticas públicas discute gargalo na colheita; declividade e compactação do solo são problemas .
Portal Inovação Unicamp, por Janaína Simões, em 11/12/2006.
Pesquisadores e representantes da indústria de álcool e açúcar levantaram desafios e gargalos para a pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I) em colheita de cana-de-açúcar durante o II Workshop do Projeto Diretrizes de Políticas Públicas para a Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, realizado dia 29 de novembro no hotel Sol Inn, em Campinas. O projeto, financiado no âmbito do programa Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), prevê a realização de nove workshops; é coordenado por Luís Cortez, docente e pesquisador da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp. Os resultados e informações dos workshops serão agrupados em um documento de recomendação ao governo do Estado de São Paulo, que conterá diretrizes para políticas públicas para o setor sucroalcooleiro. Participaram desse segundo workshop 70 pessoas. O terceiro workshop, sobre hidrólise, acontecerá dia 14 de dezembro no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). O primeiro, realizado dia 10 de novembro, teve destilação e fermentação como tema.
"A idéia dos encontros não é fazer uma atualização tecnológica, mas explorar o futuro das tecnologias, para onde estamos indo", explica Cortez. Ele ressalta que o Brasil alcançou sua competitividade atual em etanol com base em avanços até conservadores. "É possível que algumas tecnologias estejam chegando ao limite. O volume de recursos que alguns países colocam agora na pesquisa em biocombustíveis pode tirar nossa liderança", alerta.
Os workshops pretendem construir um roadmap tecnológico para o setor. As reuniões seguem uma metodologia: os organizadores enviam aos palestrantes, antes do encontro, um termo de referência das tecnologias e dos pontos mais importantes a serem tratados. Os palestrantes, pessoas reconhecidas pela competência técnico-científica, escrevem "position papers", onde respondem às perguntas constantes no termo de referência. As respostas são apresentadas durante o workshop, quando debatedores convidados fazem perguntas ou contestam as afirmações, oferecendo novos subsídios para o documento final.
Os palestrantes do workshop sobre colheita da cana
Maurílio de Oliveira Mello, engenheiro agrícola da Usina São Martinho, de Ribeirão Preto, falou no primeiro painel do workshop, "Colheita da cana-de-açúcar nas áreas atuais e de expansão". Marcos Fahrat, engenheiro agrônomo da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi), apresentou seu trabalho sobre "Colheita de cana pelos fornecedores e prestadores de serviços". Tomaz Ripoli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), apresentou o tema "Recuperação da palha para fins energéticos". Por último, Oscar Braunbeck, pesquisador da Feagri Unicamp, discutiu o tema "Quebra de paradigma na colheita de cana".
Diminuir perdas é a ordem
Segundo Mello, da São Martinho, um dos maiores desafios na colheita é lidar com as perdas. As visíveis são os pedaços da cana que ficam no campo porque as lâminas das colhedoras não conseguem cortar tão rente ao chão como um trabalhador braçal pode fazer. "O processo de corte precisa de muito aprimoramento ainda", afirmou. Pode-se até perder a cana inteira, por conta de ela se quebrar ao invés de apenas envergar durante o corte. Já as perdas invisíveis, difíceis de se mensurar, podem se dar na forma de caldo, serragem ou estilhaço de cana.
Jorge Neves, representante do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e um dos debatedores do primeiro painel, contou que medições feitas pelo instituto indicam que as perdas visíveis e invisíveis, somadas, estão em 10%. Em contrapartida, a soja, por exemplo, está chegando a 1% de perdas.
Outro grande desafio em termos de P&D&I diz respeito à compactação do solo, causada pela pressão exercida pelos pneus das colhedoras, das carretas de transbordo e até mesmo pela presença dos trabalhadores no campo. A São Martinho perde 6,5 toneladas de cana por hectare por causa da compactação. Para diminuir o problema, fez um projeto de "canteirização" do canavial, separando os locais de passar veículos de transporte dos lugares onde está a cana plantada.
"Gostaríamos de diminuir essas passagens, e colhedoras de duas linhas que diminuíssem o tráfego no canavial seriam bem-vindas", sugeriu Rafaella Rossetto, agrônoma da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), debatedora do primeiro tema. Para ela, conseguir transbordos mais leves, pneus e máquinas que compactem menos são os melhores caminhos.
Jorge Neves, do CTC, afirmou que os custos globais para colheita da cana queimada mecanizada são de R$ 17 por tonelada, contra R$ 16 da colheita manual. Ele considerou impossível colher cana com eficiência usando-se o sistema de duas linhas proposto por Rafaella — mantido o nível atual de P&D do País nesse quesito.
Um dos principais desafios tecnológicos para se implantar a colheita mecanizada é a declividade dos terrenos. Para se chegar a 100% de mecanização, é preciso haver equipamentos capazes de andar em terrenos de maior declividade, defendeu Neves. "Na faixa de 11% a 15% de declividade, começa a ficar muito difícil mecanizar", comentou.
Inovações nas colhedoras
Oscar Braunbeck, palestrante do último painel do dia, apresentou um projeto inovador da Feagri que pode resolver o problema da declividade em algumas regiões. O sistema em desenvolvimento na Unicamp prende a cana na base e a puxa para cima, separando as operações de corte e alimentação. As colhedoras disponíveis no mercado fazem o corte da cana e a jogam cortada para dentro da máquina em uma única operação. Essa colhedora, segundo Braunbeck, é ideal para locais de maior declividade porque justamente não usa o sistema de base de corte.
Também debatedor do painel de Braunbeck, Daniel Marçal de Queiroz, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), lembrou do excesso de peso das colhedoras. "Podemos produzi-las mais leves e baratas. É um ponto que precisamos atacar." O consumo de energia das máquinas também pode ser melhorado, disse.
O consultor Luiz Nitsch, outro debatedor, chamou a atenção para o fato de que nenhuma fábrica fará qualquer máquina se não houver mercado. "Se não fomentarmos a demanda, jamais veremos o que aqui foi acenado", disse, referindo-se ao projeto da Feagri. Ele explicou que há muito ceticismo entre os clientes do setor, que não aceitam facilmente as novas tecnologias.
João Carlos Rocha Abdo, representante do Grupo GVO, contou no debate que essa empresa trabalha no uso do piloto automático com GPS de altíssima precisão nas colhedoras. "Tem funcionado, mas é uma tecnologia muito cara, custa US$ 40 mil, US$ 50 mil. Como nacionalizar isso?", questionou. A tecnologia permite ao operador melhorar a precisão na operação de corte de base, porque ele não precisa focar sua atenção na condução da máquina. Para Adbo, outros pontos críticos na mecanização são o consumo de diesel e óleo hidráulico nos veículos de corte e transporte utilizados.
O impacto da mecanização para os pequenos produtores
O aumento da mecanização impacta os chamados fornecedores, pequenos produtores de cana que vendem sua colheita para as grandes usinas. O palestrante Marcos Fahrat, da Afocapi, disse que São Paulo tem 13 mil fornecedores, responsáveis por 25% da cana produzida no Estado. Segundo ele, esses fornecedores deverão continuar existindo, apesar da expansão, do predomínio das grandes usinas e da mecanização da produção. "Comprar desses fornecedores oferece uma boa relação custo-benefício para a usina. Há tendência de terceirização de áreas de produção para fornecedores", enumerou. "Produção em pequena escala pode ser a contramão da economia, mas não podemos ignorar a questão social", acrescentou.
Fahrat apresentou alguns desafios. Qual tecnologia deve ser oferecida para colher a cana crua, já que por lei os produtores não poderão mais queimá-la antes de colher? É preciso resolver o problema dos altos custos e da baixa eficiência na colheita manual de cana crua, dado o pouco acesso ao crédito e à mecanização. Outra demanda para P&D é ajudar esses produtores a lidar com o manejo da palha.
"Tecnologia para isso existe, mas o governo federal não quer remunerar pela co-geração como faz com a energia hidrelétrica", apontou. A co-geração seria uma saída para gerar renda, que poderia dar a esses produtores as novas tecnologias. Mas como os preços em leilão de energia são muito baixos, não dão o retorno para o investimento na tecnologia.
Marcelo Pierossi, do CTC, que tem 12 mil fornecedores e três associações de fornecedores associados, afirmou ser fundamental discutir o tipo de terra que o fornecedor terá nas áreas de expansão. "É mais fácil mecanizar em Goiás do que em Piracicaba”" destacou. Ele disse ainda que a tecnologia aplicada para a colheita da cana crua, sem a queima, é baseada no modelo australiano, que usa máquinas de grande porte. "Temos de partir de paradigmas e conceitos diferentes, para novos sistemas e equipamentos, de menor peso e porte, pois estamos falando de áreas pequenas", acrescentou.
Uma política de P&D para o desenvolvimento do setor precisa também estar atenta aos aspectos econômicos. "Os fornecedores e os prestadores de serviço no setor não têm acesso ao BNDES", ressaltou o debatedor Eduardo Cunali, da Terra Verde Concessionária JD, distribuidora de máquinas agrícolas. Uma solução, disse, seria os fornecedores se reunirem em condomínios, na forma de associações ou cooperativas.
O debatedor Antonio Tittoto, fornecedor de cana e consultor, ressaltou a questão cultural. "O fornecedor é conservador, medroso, trabalha à margem desse frenesi de tecnologia que vemos nas usinas", afirmou. Para ele, falta "tecnificação" dos fornecedores.
Aproveitamento da palha se torna lucrativo
Para falar dos melhores usos do que sobra no canavial depois da colheita, Tomaz Caetano Ripoli, da Esalq, apresentou a palestra "Palhiço de cana: opção para geração?". Palhiço é o que sobrou da colheita — além da palha, inclui a terra que se misturou à sobra, ervas, ponteios, raízes etc.
Segundo ele, uma tonelada de palhiço equivale a algo entre 1,2 e 2,8 EBP (equivalentes barris de petróleo, um padrão de medição utilizado para preços e custos em energia). "Como em um hectare de canavial ficam de quatro a nove toneladas de palhiço [peso seco], temos uma usina de energia renovável", ressaltou. Ele pesquisa o aproveitamento do palhiço e do bagaço para gerar energia. Um dos focos do seu trabalho foi o processo de recolhimento desse palhiço, estudado junto com o grupo Cosan. "Vimos que o ideal é deixar 50% do palhiço no campo, para fins agronômicos, e também deixar a terra, para não afetar a microbiota", explicou.
Já o debatedor Edgard Beauclair, também da Esalq, defendeu um planejamento nas usinas que faça uma divisão clara entre a cana produzida para energia e a destinada para açúcar. A cana para fins energéticos requer colheita integral, para ter aproveitamento total. Contudo, o teor de fibra contido nesse material traz uma série de problemas industriais que precisam ser estudados. "Acredito muito no desenvolvimento de novas tecnologias em fermentação de celulose, desenvolvida para madeira. Poderíamos entrar nesse esquema", sugeriu.
Outro debatedor, Ricardo Soares de Arruda Pinto, consultor da Idea News, apontou para o problema tecnológico de separar a terra da palha. "É importante priorizar isso", indicou. Para o consultor, as pesquisas precisam aproveitar a janela da co-geração, dadas as projeções de falta de 3 mil megawatts de energia na matriz brasileira em 2009.
Parcerias no Projeto Políticas Públicas
O projeto é resultado de uma parceria entre a Unicamp e a Apta, que coordena os centros de pesquisa estaduais da Secretaria de Agricultura paulista: Instituto Agronômico de Campinas, Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Zootecnia e Instituto de Tecnologia de Alimentos. Também participam do projeto o CTC, a Embrapa Instrumentação Agropecuária, o IPT, a Rede Interuniversitária para Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), por meio da integrante regional dessa rede, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal, e duas unidades da USP, a Escola de Engenharia de Lorena (EEL — antiga Faculdade de Engenharia Química de Lorena, a Faenquil) e a Esalq, de Piracicaba.
Pesquisadores e representantes da indústria de álcool e açúcar levantaram desafios e gargalos para a pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D&I) em colheita de cana-de-açúcar durante o II Workshop do Projeto Diretrizes de Políticas Públicas para a Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, realizado dia 29 de novembro no hotel Sol Inn, em Campinas. O projeto, financiado no âmbito do programa Políticas Públicas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), prevê a realização de nove workshops; é coordenado por Luís Cortez, docente e pesquisador da Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp. Os resultados e informações dos workshops serão agrupados em um documento de recomendação ao governo do Estado de São Paulo, que conterá diretrizes para políticas públicas para o setor sucroalcooleiro. Participaram desse segundo workshop 70 pessoas. O terceiro workshop, sobre hidrólise, acontecerá dia 14 de dezembro no Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT). O primeiro, realizado dia 10 de novembro, teve destilação e fermentação como tema.
"A idéia dos encontros não é fazer uma atualização tecnológica, mas explorar o futuro das tecnologias, para onde estamos indo", explica Cortez. Ele ressalta que o Brasil alcançou sua competitividade atual em etanol com base em avanços até conservadores. "É possível que algumas tecnologias estejam chegando ao limite. O volume de recursos que alguns países colocam agora na pesquisa em biocombustíveis pode tirar nossa liderança", alerta.
Os workshops pretendem construir um roadmap tecnológico para o setor. As reuniões seguem uma metodologia: os organizadores enviam aos palestrantes, antes do encontro, um termo de referência das tecnologias e dos pontos mais importantes a serem tratados. Os palestrantes, pessoas reconhecidas pela competência técnico-científica, escrevem "position papers", onde respondem às perguntas constantes no termo de referência. As respostas são apresentadas durante o workshop, quando debatedores convidados fazem perguntas ou contestam as afirmações, oferecendo novos subsídios para o documento final.
Os palestrantes do workshop sobre colheita da cana
Maurílio de Oliveira Mello, engenheiro agrícola da Usina São Martinho, de Ribeirão Preto, falou no primeiro painel do workshop, "Colheita da cana-de-açúcar nas áreas atuais e de expansão". Marcos Fahrat, engenheiro agrônomo da Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi), apresentou seu trabalho sobre "Colheita de cana pelos fornecedores e prestadores de serviços". Tomaz Ripoli, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), apresentou o tema "Recuperação da palha para fins energéticos". Por último, Oscar Braunbeck, pesquisador da Feagri Unicamp, discutiu o tema "Quebra de paradigma na colheita de cana".
Diminuir perdas é a ordem
Segundo Mello, da São Martinho, um dos maiores desafios na colheita é lidar com as perdas. As visíveis são os pedaços da cana que ficam no campo porque as lâminas das colhedoras não conseguem cortar tão rente ao chão como um trabalhador braçal pode fazer. "O processo de corte precisa de muito aprimoramento ainda", afirmou. Pode-se até perder a cana inteira, por conta de ela se quebrar ao invés de apenas envergar durante o corte. Já as perdas invisíveis, difíceis de se mensurar, podem se dar na forma de caldo, serragem ou estilhaço de cana.
Jorge Neves, representante do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e um dos debatedores do primeiro painel, contou que medições feitas pelo instituto indicam que as perdas visíveis e invisíveis, somadas, estão em 10%. Em contrapartida, a soja, por exemplo, está chegando a 1% de perdas.
Outro grande desafio em termos de P&D&I diz respeito à compactação do solo, causada pela pressão exercida pelos pneus das colhedoras, das carretas de transbordo e até mesmo pela presença dos trabalhadores no campo. A São Martinho perde 6,5 toneladas de cana por hectare por causa da compactação. Para diminuir o problema, fez um projeto de "canteirização" do canavial, separando os locais de passar veículos de transporte dos lugares onde está a cana plantada.
"Gostaríamos de diminuir essas passagens, e colhedoras de duas linhas que diminuíssem o tráfego no canavial seriam bem-vindas", sugeriu Rafaella Rossetto, agrônoma da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), debatedora do primeiro tema. Para ela, conseguir transbordos mais leves, pneus e máquinas que compactem menos são os melhores caminhos.
Jorge Neves, do CTC, afirmou que os custos globais para colheita da cana queimada mecanizada são de R$ 17 por tonelada, contra R$ 16 da colheita manual. Ele considerou impossível colher cana com eficiência usando-se o sistema de duas linhas proposto por Rafaella — mantido o nível atual de P&D do País nesse quesito.
Um dos principais desafios tecnológicos para se implantar a colheita mecanizada é a declividade dos terrenos. Para se chegar a 100% de mecanização, é preciso haver equipamentos capazes de andar em terrenos de maior declividade, defendeu Neves. "Na faixa de 11% a 15% de declividade, começa a ficar muito difícil mecanizar", comentou.
Inovações nas colhedoras
Oscar Braunbeck, palestrante do último painel do dia, apresentou um projeto inovador da Feagri que pode resolver o problema da declividade em algumas regiões. O sistema em desenvolvimento na Unicamp prende a cana na base e a puxa para cima, separando as operações de corte e alimentação. As colhedoras disponíveis no mercado fazem o corte da cana e a jogam cortada para dentro da máquina em uma única operação. Essa colhedora, segundo Braunbeck, é ideal para locais de maior declividade porque justamente não usa o sistema de base de corte.
Também debatedor do painel de Braunbeck, Daniel Marçal de Queiroz, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), lembrou do excesso de peso das colhedoras. "Podemos produzi-las mais leves e baratas. É um ponto que precisamos atacar." O consumo de energia das máquinas também pode ser melhorado, disse.
O consultor Luiz Nitsch, outro debatedor, chamou a atenção para o fato de que nenhuma fábrica fará qualquer máquina se não houver mercado. "Se não fomentarmos a demanda, jamais veremos o que aqui foi acenado", disse, referindo-se ao projeto da Feagri. Ele explicou que há muito ceticismo entre os clientes do setor, que não aceitam facilmente as novas tecnologias.
João Carlos Rocha Abdo, representante do Grupo GVO, contou no debate que essa empresa trabalha no uso do piloto automático com GPS de altíssima precisão nas colhedoras. "Tem funcionado, mas é uma tecnologia muito cara, custa US$ 40 mil, US$ 50 mil. Como nacionalizar isso?", questionou. A tecnologia permite ao operador melhorar a precisão na operação de corte de base, porque ele não precisa focar sua atenção na condução da máquina. Para Adbo, outros pontos críticos na mecanização são o consumo de diesel e óleo hidráulico nos veículos de corte e transporte utilizados.
O impacto da mecanização para os pequenos produtores
O aumento da mecanização impacta os chamados fornecedores, pequenos produtores de cana que vendem sua colheita para as grandes usinas. O palestrante Marcos Fahrat, da Afocapi, disse que São Paulo tem 13 mil fornecedores, responsáveis por 25% da cana produzida no Estado. Segundo ele, esses fornecedores deverão continuar existindo, apesar da expansão, do predomínio das grandes usinas e da mecanização da produção. "Comprar desses fornecedores oferece uma boa relação custo-benefício para a usina. Há tendência de terceirização de áreas de produção para fornecedores", enumerou. "Produção em pequena escala pode ser a contramão da economia, mas não podemos ignorar a questão social", acrescentou.
Fahrat apresentou alguns desafios. Qual tecnologia deve ser oferecida para colher a cana crua, já que por lei os produtores não poderão mais queimá-la antes de colher? É preciso resolver o problema dos altos custos e da baixa eficiência na colheita manual de cana crua, dado o pouco acesso ao crédito e à mecanização. Outra demanda para P&D é ajudar esses produtores a lidar com o manejo da palha.
"Tecnologia para isso existe, mas o governo federal não quer remunerar pela co-geração como faz com a energia hidrelétrica", apontou. A co-geração seria uma saída para gerar renda, que poderia dar a esses produtores as novas tecnologias. Mas como os preços em leilão de energia são muito baixos, não dão o retorno para o investimento na tecnologia.
Marcelo Pierossi, do CTC, que tem 12 mil fornecedores e três associações de fornecedores associados, afirmou ser fundamental discutir o tipo de terra que o fornecedor terá nas áreas de expansão. "É mais fácil mecanizar em Goiás do que em Piracicaba”" destacou. Ele disse ainda que a tecnologia aplicada para a colheita da cana crua, sem a queima, é baseada no modelo australiano, que usa máquinas de grande porte. "Temos de partir de paradigmas e conceitos diferentes, para novos sistemas e equipamentos, de menor peso e porte, pois estamos falando de áreas pequenas", acrescentou.
Uma política de P&D para o desenvolvimento do setor precisa também estar atenta aos aspectos econômicos. "Os fornecedores e os prestadores de serviço no setor não têm acesso ao BNDES", ressaltou o debatedor Eduardo Cunali, da Terra Verde Concessionária JD, distribuidora de máquinas agrícolas. Uma solução, disse, seria os fornecedores se reunirem em condomínios, na forma de associações ou cooperativas.
O debatedor Antonio Tittoto, fornecedor de cana e consultor, ressaltou a questão cultural. "O fornecedor é conservador, medroso, trabalha à margem desse frenesi de tecnologia que vemos nas usinas", afirmou. Para ele, falta "tecnificação" dos fornecedores.
Aproveitamento da palha se torna lucrativo
Para falar dos melhores usos do que sobra no canavial depois da colheita, Tomaz Caetano Ripoli, da Esalq, apresentou a palestra "Palhiço de cana: opção para geração?". Palhiço é o que sobrou da colheita — além da palha, inclui a terra que se misturou à sobra, ervas, ponteios, raízes etc.
Segundo ele, uma tonelada de palhiço equivale a algo entre 1,2 e 2,8 EBP (equivalentes barris de petróleo, um padrão de medição utilizado para preços e custos em energia). "Como em um hectare de canavial ficam de quatro a nove toneladas de palhiço [peso seco], temos uma usina de energia renovável", ressaltou. Ele pesquisa o aproveitamento do palhiço e do bagaço para gerar energia. Um dos focos do seu trabalho foi o processo de recolhimento desse palhiço, estudado junto com o grupo Cosan. "Vimos que o ideal é deixar 50% do palhiço no campo, para fins agronômicos, e também deixar a terra, para não afetar a microbiota", explicou.
Já o debatedor Edgard Beauclair, também da Esalq, defendeu um planejamento nas usinas que faça uma divisão clara entre a cana produzida para energia e a destinada para açúcar. A cana para fins energéticos requer colheita integral, para ter aproveitamento total. Contudo, o teor de fibra contido nesse material traz uma série de problemas industriais que precisam ser estudados. "Acredito muito no desenvolvimento de novas tecnologias em fermentação de celulose, desenvolvida para madeira. Poderíamos entrar nesse esquema", sugeriu.
Outro debatedor, Ricardo Soares de Arruda Pinto, consultor da Idea News, apontou para o problema tecnológico de separar a terra da palha. "É importante priorizar isso", indicou. Para o consultor, as pesquisas precisam aproveitar a janela da co-geração, dadas as projeções de falta de 3 mil megawatts de energia na matriz brasileira em 2009.
Parcerias no Projeto Políticas Públicas
O projeto é resultado de uma parceria entre a Unicamp e a Apta, que coordena os centros de pesquisa estaduais da Secretaria de Agricultura paulista: Instituto Agronômico de Campinas, Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Zootecnia e Instituto de Tecnologia de Alimentos. Também participam do projeto o CTC, a Embrapa Instrumentação Agropecuária, o IPT, a Rede Interuniversitária para Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa), por meio da integrante regional dessa rede, a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Jaboticabal, e duas unidades da USP, a Escola de Engenharia de Lorena (EEL — antiga Faculdade de Engenharia Química de Lorena, a Faenquil) e a Esalq, de Piracicaba.
Assinar:
Postagens (Atom)







