Marcelo Acuña Coelho, em 01/06/2009.
Faço minhas as palavras de Albert Einstein:
"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".
Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la".
(Reuters - 01/06/09) As perspectivas de médio prazo são positivas para as usinas brasileiras de açúcar e álcool. Os preços do açúcar já estão em seu maior valor dos últimos três anos, o consumo local de etanol continua crescendo, e o preço global dos combustíveis deve se recuperar no segundo semestre, segundo analistas.
Mas vários grupos podem não sobreviver para colher os benefícios desses fundamentos, por estarem soterrados em dívidas. O crédito deve dominar as discussões na semana que vem na segunda edição do Ethanol Summit, em São Paulo.
Promovida pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a cúpula reunirá especialistas, pesquisadores, executivos, funcionários governamentais de todo o mundo e personalidades como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.
A crise financeira global abalou o setor, que havia se endividado para ampliar a produção de álcool nos últimos anos. Muitas empresas passaram os últimos meses renegociando com os bancos, e algumas provavelmente só vão conseguir se recuperar se receberem novas injeções de capital, segundo analistas.
"O futuro é belo. O problema é chegar lá," disse o presidente da Datagro, Plínio Nastari. "Haverá turbulência até que cheguemos a um porto seguro."
O mercado global do açúcar deve ter em 2009 seu segundo ano consecutivo de déficit de oferta, com a devida reação dos preços. Alguns acreditam que a crise global poderá reduzir a demanda, mas por outro lado as restrições ao crédito também devem atenuar a expansão dos canaviais e usinas.
No Brasil, apesar de outra safra recorde de cana, o aumento na colheita em 2009/10 mal é considerado suficiente para atender a demanda interna e externa, segundo Nastari.
A Datagro vê um aumento de 7% na produção de cana brasileira neste ano, abaixo dos 8% que seriam necessários para equilibrar oferta e demanda. Nos últimos três anos, quando as usinas se aproveitaram do crédito abundante para crescer mais, o aumento médio foi de 13%.
"A cifra deste ano é muito inferior que a anterior, o que é ótimo. E no ano que vem pode ser ainda mais baixa, já que ninguém está investindo muito," afirmou Nastari.
Os produtores reduziram o uso de fertilizantes nos canaviais devido à falta de capital, e a expansão do setor já ocorre num ritmo menos acelerado, embora a demanda continue crescendo. As exportações de etanol devem cair neste ano, mas a redução não deve se repetir em 2010, segundo Nastari.
"O Brasil se tornará um fator de otimismo no ano que vem," disse ele. "O segredo para sobreviver será ter fluxo de caixa nos próximos três anos para sustentar os preços do etanol. Depois disso, as coisas tendem a melhorar."
Nastari espera que o processamento da cana na safra 2010/11 seja semelhante ao da atual safra, na casa de 550 milhões de t.
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