Quarta-feira, Abril 01, 2009

Sertãozinho estará sediando paralisação geral.


Ceise-BR, em 01/04/2009.

No momento em que o mundo respira a falta de crédito, os empresários sertanezinos, em parceria com os sindicatos, estão em busca de soluções.

Na última reunião realizada na sala do Ceise BR - Centro nacional das Indústrias do Setor Sucroalcooleiro e Energético, o presidente Mário Garrefa demonstrou que o problema está afetando a todos os segmentos.

"Não conseguimos crédito e com isso os trabalhadores estão sendo prejudicados. Por outro lado, o comércio para de vender e por ai vai. Por isso, convidamos toda a população de Sertãozinho e região para se unir e demonstrar seu descrédito no cenário mundial" convidou Garrefa.

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Elio Cândido, informou que a principio estavam se unindo para uma paralisação na cidade, mas que apóia e estará convidando todas as Centrais sindicais para vir a Sertãozinho participar do evento.

Essa também foi a opinião do prefeito municipal, Nério Costa, que demonstrou o tamanho do problema pela falta de crédito. "Já fizemos um movimento em 1999 e gerou resultado, por isso, é importante a união de toda cadeia produtiva e da população em geral, para demonstrar o descontentamento e a falta de perspectiva num futuro próximo".

Segundo Garrefa, "os bancos estão pedindo até certificado do Ibama para liberar recursos para as empresas continuarem trabalhando. Isso é um absurdo que só tem dificultado a liberação do dinheiro".

Há três anos, as empresas sertanezinas estavam em todos os meios de comunicação como a cidade que mais gerava emprego. "Agora está difícil manter os trabalhadores e temos que achar soluções, pois onde há produção há emprego", finaliza Garrefa.

Essa também é a realidade dos fornecedores de cana, que estão enfrentando a crise. "Estamos em contato com todos os fornecedores da Canaoeste/Copercana e Cocred, para mostrar nossa insatisfação e participar da paralisação no próximo dia 16 de abril, às 15 horas, na Praça Matriz de Sertãozinho", comentou Gustavo Nogueira, gerente da Canaoeste.

"Por isso estamos brigando pelo nosso setor e pela manutenção dos empregos. Temos interesses em comum e, inclusive vamos solicitar a redução do IPI nas máquinas", finalizou Cândido.

A opinião foi aplaudida por todos os participantes que encerram a reunião mencionando que será feito um documento para ser entregue ao governo federal, com todas as reivindicações do setor.

Estudo da Embrapa aponta trunfo ambiental do etanol.

Valor Online, em 01/04/2009.

As conversas dos dirigentes dos 20 países mais influentes do mundo, na próxima quinta-feira, em Londres, serão embaladas por uma pesquisa inédita da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva levará na bagagem para os encontros do G-20 um estudo que mostra como a produção de etanol pode reduzir de forma significativa as emissões de gases causadores do efeito estufa - sem dúvida, um tema caríssimo ao colega americano Barack Obama e a quase todos os mandatários dos países industrializados.

Preparado sob encomenda do Palácio do Planalto, o levantamento da unidade Embrapa Agrobiologia, de Seropédica (RJ), aponta que, mesmo levando-se em consideração todo o processo de produção da cana-de-açúcar, a fabricação do álcool, o transporte, a distribuição e a comercialização do combustível, o etanol brasileiro reduz em 73% a emissão total de dióxido de carbono (CO2), do óxido nitroso presente no nitrogênio de fertilizantes, e do gás metano (liberado pela queima da palha da cana e na vinhaça) na atmosfera.

O estudo da Embrapa sustenta que, se toda a frota de veículos brasileiros movidos a gasolina passasse a queimar etanol em seus motores, haveria uma economia de 53,3 milhões de toneladas ao longo de um ano. Isso equivale a 14% das emissões totais de CO2 pela França - ou 25% do consumo dos franceses em energia de transportes (diesel e gasolina), de acordo com os pesquisadores da Embrapa.

Em valores médios, a redução pode ser constatada pelo exemplo de uma caminhonete modelo S-10, da Chevrolet. Alimentado por etanol, o motor " flexpower " do veículo emite 9,4 quilos de CO2 a cada 100 quilômetros rodados. Com motor turbo movido a diesel, a emissão sobe a 29,7 kg. Com gasolina tipo " A " , sem mistura, o mesmo motor descarrega 35,1 kg de dióxido de carbono no ar.

" Ou seja, com etanol, a picape emitiu apenas 27% gases de efeito estufa " , resume o pesquisador Robert Boddey. Inglês naturalizado, o cientista afirma que o balanço energético é " amplamente favorável " ao etanol. " E o presidente Lula poderá mostrar isso com orgulho aos líderes das maiores economias globais " .

O estudo, realizado em conjunto com os pesquisadores Bruno Alves, Segundo Urquiaga e Luís Henrique Soares, admite, porém, que a cana cultivada em áreas novas fica " mais suja " . Ao plantar e manejar a gramínea, há impacto para produzir a cana. Um produtor de milho ou soja estimula em três toneladas a emissão de CO2.

Nessas áreas, a cana emitiria 4.420 kg de dióxido por ano. Em lavouras de soja e milho, cultivadas em duas safras por ano em produtividade média de 2,5 mil a 3 mil kg por hectare, as emissões somariam apenas 1.160 kg/ano de CO2. Em pastagens, cuja produtividade (baixa) chegue a 0,7 unidade animal por hectare (ou um boi de 350 kg), as emissões subiriam a 2.840 kg/ano. Mas ficariam ainda bem longe das emissões da cana-de-açúcar.

Mas, ao utilizar a cana para substituir a gasolina, deixa-se de emitir 9 toneladas de CO2. Isso porque o total de etanol produzido em um hectare equivale a uma economia média de 12 toneladas de CO2 por ano

" Sempre mitiga a emissão, mas esse grau varia em função de quanto eram as emissões no uso anterior da terra " , explica o pesquisador Bruno Alves. " Se a cana entra em área de uso intensivo de pecuária, por exemplo, reduz de forma significativa essas emissões. Em áreas menos tecnificadas, a redução é menor " .

A Embrapa Agrobiologia prepara, agora, estudos com dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para comparar a economia de CO2 na produção de etanol de milho americano. " Deve ficar bem abaixo do resultado do etanol de cana " , estima Robert Boddey.

Agroenergia: delegação mexicana conhece programa de setor brasileiro.

Agência Safras, em 1/04/2009.

Comitiva chefiada pelo diretor-geral de Financeira Rural do México, Enrique De La Madrid, foi recebida nesta terça-feira (31) pelo secretário de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone. A missão veio conhecer a experiência brasileira no desenvolvimento agrícola e pecuário, e especificamente, no programa de agroenergia do País.

Também tiveram oportunidade de entender o funcionamento dos instrumentos de apoio à comercialização agrícola.

Comércio agrícola - Os principais produtos agrícolas exportados, em 2008, para o mercado mexicano foram café verde e solúvel, etanol etílico e fumo não manufaturado, totalizando US$ 125,5 mil. O Brasil importou batatas em conservas, produtos de confeitaria e grão de bico seco, representando US$ 29,8 mil em divisas. (Inez De Podestà). As informações partem da Assessoria de Imprensa do Mapa.

Crescimento da cana como fonte de energia renovável no Brasil é destaque nos EUA.

UNICA, em 01/04/2009.

A cana-de-açúcar é a fonte de energia renovável mais utilizada no Brasil, representando 16% do total da demanda energética do país. A informação foi levada ao fórum de Meio Ambiente de Aspen (Aspen Environment Forum), realizado entre os dias 25 e 28 de março no estado americano de Colorado, pelo representante-chefe da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) na América do Norte, Joel Velasco.

“O crescimento da cana como fonte renovável se deve ao uso inovador do etanol no transporte e à geração de eletricidade a partir da queima do bagaço de cana, essencial para o desenvolvimento sustentável do Brasil”, destacou o representante da UNICA.

Velasco foi o único representante brasileiro a participar do prestigioso evento em Aspen, onde também palestraram personalidades como a administradora da Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA (EPA), Lisa Jackson, e o Governador do estado de Colorado, Bill Ritter. O Aspen Institute é conhecido mundialmente por ser um fórum de debates entre grandes formadores de opinião.

O executivo da UNICA fez uma apresentação no painel “O Futuro dos Biocombustíveis”, onde mostrou que o etanol de cana-de-açúcar do Brasil reduz em até 90% as emissões de gás carbônico em comparação à gasolina, um valor não alcançado por nenhum outro biocombustível disponível comercialmente.

De acordo com Velasco, substituir os combustíveis fósseis por biocombustíveis não é o bastante. “O desafio que buscamos é maior. É substituir combustíveis fósseis por um combustível com baixas emissões de carbono, que seja sustentável e que atenue o aquecimento global”, concluiu.

Álcool de cana lança 73% menos CO2 que a gasolina.

O Globo, em 01/04/2009.

Na corrida mundial pelos biocombustíveis, o etanol brasileiro ganha mais alguns pontos. Pesquisa da Embrapa revela que o álcool de cana-de-açúcar emite menos 73% de dióxido de carbono (CO2) do que a gasolina, como mostra matéria de Carlos Albuquerque publicada nesta quarta-feira no jornal O Globo. O trabalho, que analisou todas as etapas de produção dos dois combustíveis, com clara vantagem para o etanol, mostra também que, se a queima do solo fosse eliminada do processo de colheita de cana, a diminuição das emissões do principal gás causador do efeito estufa, seria ainda maior.

- Como não adianta termos uma fonte de energia renovável se emitirmos grandes quantidades de CO2 no processo, decidimos aprofundar o estudo do balanço energético em torno dessa produção e calcular o seu custo ambiental. E ele mostrou-se bastante favorável ao etanol brasileiro - explica Segundo Urquiaga, um dos quatro pesquisadores da Embrapa Agrobiologia que realizaram o estudo..

Os pesquisadores avaliaram a quantidade de gases de efeito estufa produzida desde a preparação do solo para o plantio da cana-de-açúcar até o transporte do etanol produzido para o posto e a queima do combustível.

- Para isso, contamos com dados obtidos junto às usinas e empresas que produzem o etanol, que nos informaram os custos de materiais como cimento e ferro cromado, por exemplo, além de quanto gastam com máquinas e para transportar o produto.

A mesma avaliação foi feita com a gasolina: os pesquisadores da Embrapa consideraram a emissão dos gases do efeito estufa, desde a extração do petróleo até a combustão do produto nos motores dos veículos.

Na parte final do estudo, já de posse desses dados, foram avaliados os desempenhos de dois carros, um movido à gasolina pura e outro movido a álcool, num percurso de 100 quilômetros.

O resultado da comparação - levando em conta os custos da produção - mostrou que houve redução de 73% das emissões de CO2 com o carro a álcool em comparação com o veículo que usava gasolina pura.

MEDIDA JUDICIAL PODE “LIMPAR” NOME DE EMPRESA E FACILITAR CRÉDITO.


Centro de Inteligência Jurídica do Setor Sucroalcooleiro, em 01/04/2009.

É de praxe. Nos momentos históricos em que há crise econômica o crédito se torna escasso e a inadimplência empresarial cresce. As ações judiciais para cobrança de créditos vencidos aumenta muito e a inscrição de empresas nos órgãos de proteção ao crédito dispara.

Por convênio celebrado entre a Corregedoria do
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e Prodesp, quando uma empresa é acionada em ação de execução de valores, seu cadastro é negativado junto aos órgãos de proteção de crédito, entre eles o Serasa.

Entretanto há casos em que uma medida judicial adequada pode “limpar” o nome da empresa até o julgamento final da ação. Tudo depende do teor da defesa que a empresa ofereceu. Algumas situações contribuem para o sucesso da medida como a oferta de bens ou valores à penhora, prestação de caução e discussão parcial ou total da dívida. Neste casos, o Tribunal de Justiça de São Paulo, órgão máximo do judiciário estadual tem jurisprudência predominante no sentido de permitir às empresas que mantenham seu nome limpo até o julgamento final da ação.

As situações devem ser analisadas caso a caso, mas o judiciário paulista tem sido sensível à situação de crise e escassez de crédito, permitindo a suspensão da própria negativação e até mesmo apenas dos efeitos da negativação, soluções fundamentais para a retomada do crédito empresarial.

Departamentos jurídicos ao trabalho! É importante tentar a limpeza do cadastro em todas as ações em que a empresa tiver sido negativada. A possibilidade de êxito é boa. Em época de crédito escasso, ter o nome limpo pode ser uma questão de vida e morte para a empresa.

Oficina de trabalho do programa Bioen debate dificuldade que genoma complexo impõe à obtenção de cana transgênica comercial.

Inovação Unicamp, em 30/03/2009.

O primeiro experimento bem-sucedido em cana-de-açúcar transgênica foi feito em 1992 pelo cientista Robert Birch, professor de biologia molecular em plantas do Departamento de Botânica da Universidade de Queensland, Austrália. Na época, ele conseguiu introduzir um gene que deixaria a planta mais resistente a antibiótico. Dezessete anos depois dessa pesquisa pioneira, os cientistas ainda não conseguiram chegar a uma variedade transgênica comercial para a cana. Em laboratório e pequena escala, houve avanços; mas pesquisadores nas universidades e em empresas não conseguiram fazer uma variedade que preserve, ao longo de várias gerações, as características obtidas pela introdução de um gene na planta. E pelos próximos cinco anos, pelo menos, provavelmente continuaremos sem uma variedade transgênica do cultivo mais eficiente para a produção de etanol.

A cana transgênica foi assunto do "Workshop Bioen on Sugarcane Improvement", promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) nos dias 18 e 19 de março, na capital paulista. Foi mais uma atividade do Programa Fapesp de Pesquisa em Bioenergia (Bioen). Inovação acompanhou a segunda sessão do workshop, "Transgenics and cotrolled transgene expression", realizada na tarde do dia 18, com o auditório de 120 lugares lotado, o que obrigou o uso de cadeiras extras.

Participaram da sessão, como apresentadores, Helaine Carrier, pesquisadora da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), instalada em Piracicaba; Robert Birch, nome reverenciado pelos colegas de profissão pelo mérito de ter desenvolvido a primeira cana transgênica; e João Carlos Bespalhok, coordenador de biotecnologia da Rede Interuniversitária para o Desenvolvimento do Setor Sucroalcooleiro (Ridesa) e pesquisador da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Como debatedores, participaram Marcelo Menossi, do Instituto de Biociências da Unicamp; Eduardo Romano, pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); e Eugênio Ulian, gerente de relações científicas da Monsanto. A multinacional copatrocinou o workshop, ao lado da Syngenta, GE Healthcare, Invitrogen e Roche.

Grandes números da economia da cana no Brasil
Em sua fala, Helaine destacou que o cultivo da cana gera pelo menos 1 milhão de empregos diretos no Brasil e agrega 70 mil produtores independentes. O uso do etanol de cana como combustível promoveu redução de emissões de gás carbônico de 43 milhões de toneladas, entre 2004 e 2008. De acordo com União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), contou Helaine, o País passará de 469 milhões de toneladas de cana produzidas na safra 2007/2008 para 1,038 bilhão em 2020/2021. A área de cultivo deve sair dos 7,8 milhões de hectares (2007/2008) para 139 milhões (2020/2021). Já a produção de açúcar pode ser ampliada de 31 milhões de toneladas para 45 milhões nesse mesmo período. A de etanol deve saltar de 22,5 bilhões de litros para 65,3 bilhões nesse prazo. A eletricidade gerada pelas usinas com o aproveitamento do bagaço de cana hoje é de 1,8 gigawatts, podendo passar a 14,4 gigawatts, elevando a participação da bioenergia dos 3% atuais para 15% em 2020/2021.

Por que e o que se estuda no assunto cana transgênica

Após essa contextualização, a pesquisadora da Esalq falou da importância de estudar a transgenia para produção de novas variedades de cana, relacionada ao fato de os pesquisadores estarem atingindo os limites do melhoramento genético clássico — aquele feito pelo cruzamento de variedades de cana selecionadas de acordo com características mais interessantes. Isso ocorre por vários motivos, prosseguiu ela. A cana, lembrou a pesquisadora, tem genoma complexo. A base genética do melhoramento, enfatizou, é "estreita" — ou seja, os cruzamentos vêm sendo feitos a partir de um pequeno número de ancestrais. A base estreita traz o risco de perda de diversidade genética, o que reduz as possibilidades de obtenção de variedades mais interessantes. Além desses aspectos, o tempo do desenvolvimento de uma nova variedade de cana por melhoramento convencional varia de 12 a 15 anos. A tecnologia transgênica, quando estiver funcionando na escala comercial, vai acelerar o processo de criação de novas variedades, afirmou Helaine.

Atualmente, os pesquisadores em genômica procuram estabelecer o mapeamento genético por meio de marcadores moleculares, com o objetivo de aumentar a eficiência dos cruzamentos no melhoramento clássico e também encontrar mais facilmente os genes de interesse para o melhoramento transgênico; estudam ainda a regeneração de plantas e a cultura de tecidos, processos necessários para o desenvolvimento da tecnologia transgênica. Robert Birch foi o primeiro cientista a introduzir um gene de outra espécie, o npt II, em uma planta de cana-de-açúcar. Ao se expressar — ou seja, ao produzir a proteína a ele associada — esse gene poderia tornar a cana mais resistente a antibióticos. O cientista australiano ainda trabalha para melhorar a tecnologia. Desde seu trabalho pioneiro, outros pesquisadores introduziram genes para resistência a herbicidas e a doenças como a folha amarela; controle de insetos; melhoria dos processos metabólicos da cana; e para transformar a planta da cana em uma "bioindústria" — programando-a, por exemplo, para produzir plástico.

Dificuldades na pesquisa de cana transgênica

A palestra de Birch estava entre as mais aguardadas. Intitulava-se: "Seremos capazes de controlar a expressão de transgene na cana-de-açúcar?" (Em inglês, Can we deliver controlled transgene expression in sugarcane?). O pesquisador lembrou que há quase 15 anos colocou a primeira cana transgênica em ensaios no campo. "A mídia percebeu que tentávamos produzir uma 'supercana' transgênica e a indústria ficou muito empolgada. Tivemos milhares de linhas transgênicas depois disso, mas nada comercialmente útil", afirmou. "A limitação chave é conseguir a expressão controlada dos genes, e resultados recentes trazem esperança de que vamos conseguir isso em um futuro próximo", identificou.

Hoje, Birch coordena um grupo de 40 pesquisadores na Austrália e trabalha com o metabolismo da cana, tentando entender o que é preciso para que a estabilidade na expressão dos genes seja alcançada. Um de seus trabalhos é investigar o silenciamento de genes. Esse mecanismo pode estar relacionado ao fato de o cultivar transgênico não manter as características ao longo das gerações. Dada a complexidade do genoma da cana — a planta é poliploide, ou seja, tem muitas cópias do genoma —, muitos cromossomos e alelos devem ser investigados para saber se há um mecanismo de silenciamento.

Mais pesquisa e mais ensaio no campo
João Carlos Bespalhok, da Ridesa, começou sua apresentação no workshop com a imagem de uma reportagem de 2005 do Jornal Cana em que havia a previsão de que em quatro anos o Brasil estaria moendo cana transgênica. "Quatro anos depois, não estamos nem próximos disso", disse. Um dos problemas que o pesquisador abordou em sua palestra foi o fato de que os clones produzidos hoje por engenharia genética convencional são melhores do que os clones transgênicos. Segundo ele, pesquisas com cana transgênica estão sendo desenvolvidas nos Estados Unidos, Austrália, China, Índia, Argentina, Colômbia, África do Sul e Brasil. Aqui, há pesquisas em cana transgênica no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), na Alellyx, recentemente vendida pela Votorantim Novos Negócios à Monsanto, na Esalq, no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), entre outros lugares. De 1997 a 2009, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) recebeu pedidos para ensaios de campo do CTC, Alellyx, Basf e Bayer. O CTC é quem tem mais pedidos: dos 44 ensaios solicitados, 20 são dessa instituição privada de pesquisa. A Alellyx tem 18 pedidos, e a Basf registrou cinco, entre 1993 e 1997. A Bayer fez um pedido, em 1997. A maior parte dos ensaios envolve canas transgênicas resistentes a herbicidas.

"Precisamos de ensaios em diferentes ambientes e as melhores variedades precisam passar pelos testes de segurança, o que é o grande problema das empresas", apontou. "Ainda há um longo caminho a se percorrer. Teremos mais cinco anos, pelo menos, sendo muito otimista. Não começamos ainda os ensaios para os diferentes ambientes nem os de segurança. Ainda há muitos ensaios no campo e precisamos colocar mais cana transgênica no campo se a quisermos no mercado", acrescentou.

Na abertura para debates ao final das palestras, Eugênio Ulian, executivo da Monsanto, destacou a fala de Bespalhok, da Ridesa, por conta da menção sobre a regulamentação. "Quando examinamos a questão regulatória, notamos que há muitas perguntas que só podem ser respondidas pela ciência básica não feita ainda ou feita em outros países. Minha sugestão aos líderes do programa Bioen da Fapesp é justamente no sentido de fazer algo com a pesquisa básica para responder essas perguntas", comentou ele, sem detalhar, contudo, que dúvidas seriam essas a ser respondidas pela pesquisa básica. (J.S.)