Segunda-feira, Junho 01, 2009

Ethanol Summit: Kassab recebe motos movidas a álcool em evento sobre biocombustíveis.




Último Segundo, em 01/06/2009.

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab recebeu seis motos Honda, movidas a álcool, na planária de a abertura da segunda edição do Ethanol Summit, congresso organizado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para debater o mercado do etanol como biocombustível. As chaves, entregues ao prefeito foram uma forma de sensibilizar a prefeitura a renovar a frota de motos e ônibus da capital, de acordo com a Marcos Jank, presidente Unica.

“Tenham certeza de que a prefeitura tem plena consciência da participação do etanol em nossa economia. [...] Espero muito em breve ter dezenas de ônibus de nossas concessionárias operando com etanol”, disse Kassab.

O prefeito de São Paulo citou também sua recente participação no C40, grupo formado pelas 40 maiores cidades do mundo, realizado em Seul, na Coréia do Sul, e informou que o próximo encontro do grupo será na capital paulista, devido aos “investimentos em meio ambiente” da cidade. Kassab lembrou que os gases provenientes do lixo produzido em São Paulo – 15 mil toneladas por dia – são transformados em energia, em vez de irem para a atmosfera.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não pode comparecer ao evento, por causa da viagem à América Central, e enviou uma mensagem em vídeo. “Podem contar comigo como divulgador [do etanol] e uma pessoa interessada em que o mundo assuma a responsabilidade do modelo de desenvolvimento que temos hoje. [...] Se cada um de nós cumprir com suas obrigações certamente deixaremos um legado infinitamente melhor do que aquele que nosso pais deixaram para nós”, afirmou o presidente.

Discussões

O Ethanol Summit, organizado pela Unica, começa nesta segunda-feira e vai até a próxima quarta-feira. O evento contará com a participação do ex-presidente norte-americano Bill Clinton, que vai fazer uma palestra para encerrar as atividades do primeiro dia de evento. O tema ainda não foi divulgado.

Após a abertura do congresso, diretores da Unica vão apresentar os projetos de Comunicação da Cadeia Sucroenergética Brasileira e de Requalificação de Trabalhadores da Cana-de-Açúcar.

Ainda hoje estarão em debate temas como o uso de biocombustíveis na aviação, a proteção dos ecossistemas na produção de biocombustíveis e o etanol de segunda geração.

Novidades

Uma das novidades desta edição é a plenária especial organizado pela revista The Economist, com o tema “Um debate sobre o combustível do futuro”, que abre a programação de terça-feira. Na programação do dia, estarão em pauta também o etanol certificado, a produção de biocombustíveis pelas empresas petrolíferas e os avanços na tecnologia flex fuel.

O último dia será aberto por uma sessão plenária com o tema “Etanol: Produção Doméstica vs. Global” e terá debates sobre a produção de alimentos contra a de etanol, opções para motores a diesel e o acordo Brasil-Estados Unidos na produção de etanol.

No encerramento do Ethanol Summit, quarta-feira, estarão presentes a ministra da Casa Civil Dilma Roussef, o presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, o secretário executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Ivan Ramalho, o secretário de Produção e Agroenergia do , Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Manoel Bertone, e o presidente da Unica, Marcos Jank.

Cosan retoma Repórter Esso nos postos da rede.



Mundo do Marketin 01/06/2009.

O Repórter Esso está de volta. O primeiro programa de notícias do rádio brasileiro estreia dessa vez em versão impressa. O jornal terá distribuição gratuita em todos os postos da rede, trazendo matérias sobre o mercado automobilístico, dicas para o dia-a-dia do motoristas e informações referentes à Esso, como lançamentos de produtos. A iniciativa é do grupo Cosan Combustíveis e Lubrificantes, que detém a marca Esso pelos próximos cinco anos após um acordo com a ExxonMobil Internacional (ex-controladora).


Fonte: Wikipédia.

Noticiário histórico do rádio e da televisão brasileiros. Foi o primeiro noticiário de radiojornalismo do Brasil que não se limitava a ler as notícias recortadas dos jornais, pois as matérias eram enviadas por uma agência internacional de notícias sob o controle dos Estados Unidos da América. O repórter Esso era patrocinado por uma empresa estadunidense chamada "Standard Oil Company of Brazil", conhecida como Esso do Brasil. Os locutores que fizeram maior sucesso no noticioso foram Gontijo Teodoro, Luís Jatobá e Heron Domingues. Os slogans mais famosos eram: "O primeiro a dar as últimas" e "testemunha ocular da História".

O programa radiofônico estreiou em 28 de agosto de 1941, transmitido pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, iniciando a cobertura do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Antes da estréia oficial, o programa havia ido ao ar experimentalmente na Rádio Farroupilha de Porto Alegre.

Na televisão, o noticiário, inicialmente com o nome de O Seu Repórter Esso, foi apresentado de 10 de abril de 1952 até 31 de dezembro de 1970 na TV Tupi.



Setor de cana vê bonança a usineiro que sobreviver à crise.


Marcelo Acuña Coelho, em 01/06/2009.


Faço minhas as palavras de Albert Einstein:

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado".

Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-la, e calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la".



(Reuters - 01/06/09) As perspectivas de médio prazo são positivas para as usinas brasileiras de açúcar e álcool. Os preços do açúcar já estão em seu maior valor dos últimos três anos, o consumo local de etanol continua crescendo, e o preço global dos combustíveis deve se recuperar no segundo semestre, segundo analistas.

Mas vários grupos podem não sobreviver para colher os benefícios desses fundamentos, por estarem soterrados em dívidas. O crédito deve dominar as discussões na semana que vem na segunda edição do Ethanol Summit, em São Paulo.

Promovida pela União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a cúpula reunirá especialistas, pesquisadores, executivos, funcionários governamentais de todo o mundo e personalidades como o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

A crise financeira global abalou o setor, que havia se endividado para ampliar a produção de álcool nos últimos anos. Muitas empresas passaram os últimos meses renegociando com os bancos, e algumas provavelmente só vão conseguir se recuperar se receberem novas injeções de capital, segundo analistas.

"O futuro é belo. O problema é chegar lá," disse o presidente da Datagro, Plínio Nastari. "Haverá turbulência até que cheguemos a um porto seguro."

O mercado global do açúcar deve ter em 2009 seu segundo ano consecutivo de déficit de oferta, com a devida reação dos preços. Alguns acreditam que a crise global poderá reduzir a demanda, mas por outro lado as restrições ao crédito também devem atenuar a expansão dos canaviais e usinas.

No Brasil, apesar de outra safra recorde de cana, o aumento na colheita em 2009/10 mal é considerado suficiente para atender a demanda interna e externa, segundo Nastari.

A Datagro vê um aumento de 7% na produção de cana brasileira neste ano, abaixo dos 8% que seriam necessários para equilibrar oferta e demanda. Nos últimos três anos, quando as usinas se aproveitaram do crédito abundante para crescer mais, o aumento médio foi de 13%.

"A cifra deste ano é muito inferior que a anterior, o que é ótimo. E no ano que vem pode ser ainda mais baixa, já que ninguém está investindo muito," afirmou Nastari.

Os produtores reduziram o uso de fertilizantes nos canaviais devido à falta de capital, e a expansão do setor já ocorre num ritmo menos acelerado, embora a demanda continue crescendo. As exportações de etanol devem cair neste ano, mas a redução não deve se repetir em 2010, segundo Nastari.

"O Brasil se tornará um fator de otimismo no ano que vem," disse ele. "O segredo para sobreviver será ter fluxo de caixa nos próximos três anos para sustentar os preços do etanol. Depois disso, as coisas tendem a melhorar."

Nastari espera que o processamento da cana na safra 2010/11 seja semelhante ao da atual safra, na casa de 550 milhões de t.

BP Biofuels vai investir US$ 1 bilhão no Brasil.




Monitor Mercantil, em 01/06/2009.

A BP Biofuels Brasil, braço de biocombustíveis da empresa de petróleo britânica BP, vai investir US$ 1 bilhão em usinas de açúcar e álcool em Goiás, segundo informou seu presidente, Mario Lindenhayn. Estes recursos serão utilizados para ampliar a capacidade produtiva da usina Tropical Bioenergia, localizada na cidade de Edéia, da qual a BP já possui 50% do controle, e também na construção de um projeto greenfield nas proximidades da usina Tropical. A expectativa é de que, quando em operação total, as duas processem perto de 10 milhões de toneladas de cana por ano.

Lindenhayn explicou que o investimento em biocombustíveis é estratégico para a BP, que trabalha com a estimativa de que, até 2020, 20% do total de combustíveis consumido no mundo será de biocombustíveis (atualmente são apenas 2%)

Atualmente, a BP é responsável pela distribuição de 10% do etanol produzido no mundo. Dentro de sua estratégia, o Brasil adquire contornos expressivos devido a privilegiada posição de grande produtor de etanol de cana. "O Brasil é o país com a maior capacidade de crescimento na produção de biocombustíveis", disse Lindenhayn, explicando que, além dos planejados investimentos em construção e expansão, a empresa também está analisando a possibilidade de compra de usinas existentes. "Apenas iremos adquirir uma usina e contribuir para o processo de consolidação do setor se esta usina estiver de acordo com as diretrizes da BP e trouxer sinergia para nossas operações" - sendo que o principal ponto desta diretriz é a sustentabilidade e segurança de trabalho. "Estamos trazendo para o setor de etanol um conhecimento adquirido no setor de petróleo, onde sustentabilidade e segurança são fundamentais", afirmou.

Para assegurar esta sustentabilidade, a colheita da cana utilizada da Tropical Bioenergia será 100% mecanizada já nesta safra 2009/10, a primeira completa que a usina irá operar. A Tropical iniciou suas operações no final da safra passada. Nesta safra, a colheita deverá ficar em torno de 2,4 milhões de toneladas de cana, a capacidade operacional da usina e depois da ampliação prevista, esta capacidade dobrará para 4,8 milhões de toneladas, a mesma planejada para a usina que será construída ao lado da Tropical. "Queremos construir um cluster em Goiás que nos garanta ganhos de escala com sinergia e facilite o escoamento de nossos produtos", explica. Para o executivo, o fundamental não é correr para atingir volume de produção expressiva mas atender os requisitos de sustentabilidade, higiene, segurança e proteção ambiental praticados no mercado internacional e, desta forma, conquistar potenciais novos consumidores.

Desde que a BP decidiu criar uma divisão de biocombustíveis em 2006, já foram US$ 1,5 bilhão investidos em produção e tecnologia. No Brasil, a BP Biofuels investe, no momento, apenas no etanol de cana-de-açúcar, através da joint que possui na Tropical Bioenergia, onde tem50% das ações. Os 50% restantes são divididos igualmente entre o grupo Maeda e a Santelisa Vale. "Mas a BP também está investindo na produção de outros biocombustíveis como etanol de celulose e o biobutanol no mundo", disse. Nos Estados Unidos, a companhia possui uma joint venture com a Verenium, empresa de biotecnologia, para testar um novo biocombustível que usa como matéria-prima uma série de gramíneas semelhante à cana, mas com capacidade elevada de produção de biomassa, conhecidas como "energy grass". Segundo o executivo, a primeira planta desta associação para produção comercial do produto será construída na Flórida e o novo combustível celulósico deverá estar disponível em 2012. Na Inglaterra, a BP possui uma parceria com a DuPont para produção do biobutanol, biocombustível que tem características próximas às da gasolina, o que permite que possa ser misturada em volumes superiores aos autorizados atualmente para o etanol. Segundo Lindenhayn, a primeira planta piloto já está funcionando na Inglaterra e o produto deve ser apresentado ao mercado em 2013.

O executivo não descarta que estes novos biocombustíveis venham a ser produzidos no Brasil. "É uma possibilidade já que o país é um grande produtor de biomassa e possui um enorme mercado consumidor. Atualmente, o etanol de cana é o biocombustível mais competitivo em escala mundial, mas daqui a alguns anos o custo de produção destes novos combustíveis também deverão ser menores", disse.

Extração de etanol do bagaço e da palha de cana pode aumentar em 37% a produtividade.



Agência Brasil, em 01/06/2009.

Uma técnica para extrair etanol do bagaço e da palha da cana-de-açúcar – a biomassa da planta – poderá aumentar a produtividade das usinas em cerca de 37%. A técnica ainda está em caráter experimental, restrita a laboratórios, mas, segundo a coordenadora científica da Rede Bioetanol, Elba Bon, no prazo de três anos, poderá estar acessível para produção em escala industrial.

“Já é possível aumentar o processo de produção de etanol dos atuais 80 litros por tonelada de cana para 110 litros, se aproveitarmos o material que sobra do procedimento de obtenção normal do etanol, que é pelo caldo da cana”, explica a coordenadora.

Em nenhum país, o etanol extraído da biomassa é produzido em escala industrial ou comercial. “Mas no Brasil esses estudos já avançaram bastante, ainda que a tecnologia esteja sendo desenvolvida apenas na escala laboratorial”, avalia a pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Leda Maria Fortes. “Isso poderá colocar o Brasil em uma posição ainda mais privilegiada”, completa Elba.


“Há, inclusive, um número considerável de usinas manifestando interesse em usar essa tecnologia. Até porque há grandes chances de a lucratividade da produção aumentar”, afirma a coordenadora da Rede Bioetanol. “Mas isso precisa ainda ser confirmado por meio de estudos”, pondera.


O etanol usado comercialmente para abastecimento de veículos é extraído do caldo da cana. “A técnica que o país vem desenvolvendo permitirá, por meio do processo de hidrólise, a obtenção do chamado etanol de segunda geração, a partir dos resíduos que sobram da cana após uma primeira extração de etanol”, explica a pesquisadora do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Viridiana Leitão.

As pesquisadoras participam, desde o dia 27, do workshop da Rede Bioetanol, evento que se encerra hoje (29) em Brasília.

Segundo Elba, é possível obter etanol da biomassa por meio de dois processos de hidrólise: o ácido e oa enzimático, que são diferenciados principalmente pelas substâncias utilizadas para a transformação da celulose em glicose.

A mais comum – porém menos indicada pelas pesquisadoras por gerar inibidores do processo de fermentação e, também, por corroer os equipamentos – é hidrólise ácida. Com os estudos desenvolvidos pela Rede Bioetanol, há grande expectativa de se desenvolver, em escala industrial, a hidrólise por meio da adição de enzimas.

“Esta é a corrida da hora”, aponta o professor de engenharia da Universidade Federal do ABC Adriano Ensinas, que também participa do workshop.

Aspectos sociais do desenvolvimento tornam a tecnologia ainda mais importante, segundo Elba, porque gera empregos para pessoas melhor qualificadas e, também, porque incentiva a qualificação profissional dos trabalhadores que já atuam em toda a cadeira de produção do etanol.

Além disso, a capacidade de produção pode aumentar mais, sem necessidade de expansão das áreas de cultivo. “Essa tecnologia pode diminuir a necessidade de área plantada, preservando o ecossistema e os mananciais de água do país”, argumenta Elba.

Financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, o workshop da Rede Bioetanol envolve 15 instituições, entre laboratórios universitários e centros de pesquisa.

Senado do Brasil aprova parceria com Moçambique nos biocombustíveis.




MacauHub, em 01/06/2009.

O Senado brasileiro aprovou a parceria com Moçambique para a produção de biocombustíveis, que pode fazer do país africano um importante produtor e, tal como em Angola, já há empresários brasileiros no terreno a preparar investimentos.

Para o director executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) brasileira, Eduardo Leão de Sousa, o acordo entre o Brasil e Moçambique “poderá ser um dos mais bem-sucedidos acordos desta natureza, dadas as afinidades geográficas e culturais entre os dois países”.

O memorando de entendimento, assinado entre os dois governos em 2007, foi finalmente aprovado no Senado a 12 de Maio passado.

Instrumento da estratégia brasileira de fomentar internacionalmente o uso de biocombustíveis baseados nas suas tecnologias, o documento prevê missões técnico-empresariais, formação de mão-de-obra e parcerias com países terceiros e organismos internacionais interessados em apoiar projectos de implantação dos biocombustíveis em Moçambique.

Mas, mesmo antes da aprovação do documento, os empresários brasileiros já estavam no terreno a avaliar as condições de investimento no cultivo e refinação, segundo relata a Unica.

Líder mundial na produção de etanol a partir de cana-de-açúcar, o Brasil promete ajudar a produção moçambicana, importante na redução da factura de importação de combustíveis a ganhar potencial de exportação.

Moçambique pode exportar etanol para a Europa sem as sobretaxas impostas ao Brasil: se os seus produtores se instalarem e venderem a partir de Moçambique, podem atingir com preços mais competitivos o mercado europeu e também o asiático.

Além disso, Moçambique tem três portos por onde pode ser exportada a produção, uma localização geográfica estratégica, bem como aproximadamente 30 milhões de hectares de terras aráveis e férteis.

O país africano, salienta a Unica, “está situado na mesma faixa de latitude das áreas de lavoura brasileiras mais competitivas de cana-de-açúcar” e as três regiões escolhidas pelo governo de Maputo para produção de etanol, têm “todas clima parecido com o do Brasil”.

A Política e Estratégia Nacional de Biocombustíveis, recentemente aprovada por Maputo, visa a produção de biocombustíveis a partir de cana-de-açúcar e sorgo, para produção de etanol e de jatrofa (pinhão manso) e coco para biodiesel.

Angola assume um papel pioneiro na intervenção do Brasil para estimular a produção dos biocombustíveis nos países africanos de língua portuguesa.

Em parceria com o grupo privado angolano Damer e a estatal petrolífera Sonangol, a brasileira Odebrecht participa na Companhia de Bioenergia de Angola (Biocom), que vai investir na plantação de cana-de-açúcar e construção de uma fábrica para produzir açúcar, etanol e bioelectricidade na província de Malanje.

Estão previstos investimentos de 258 milhões de dólares e a ocupação de 30 mil hectares de área agrícola, até 2012.

Paralelamente, toda a estrutura de pesquisa agropecuária de Angola, sector em que o país possui reconhecidamente elevado potencial, está actualmente a ser repensada com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Outro “player” neste sector e nestes países é a Geocapital, “holding” dos empresários Stanley Ho e Ferro Ribeiro para investimentos nos países de língua portuguesa.

O plano de implantação em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau em como horizonte 2018 e implica um investimento de até 40 mil milhões de dólares, segundo a “holding”.

A segunda revolução do etanol.




O Estado de São Paulo, em 01/06/2009.

Quem considera o etanol produzido de fontes primárias (como cana-de-açúcar e milho) uma revolução da agroenergia nem imagina o que vem pela frente. Dentro de alguns anos, os biocombustíveis também serão feitos a partir do bagaço da cana-de-açúcar, sabugo de milho, capim, casca de árvore, pneus e até lixo urbano. Para isso, os principais centros de inovação do mundo, financiados por governos e grandes empresas, como a petrolíferas BP e Shell, estão travando uma verdadeira corrida tecnológica.

Será o vencedor aquele que encontrar a rota mais viável para transformar os diferentes tipos de biomassa em etanol. Os primeiros litros do biocombustível já foram produzidos em escala experimental. Falta encontrar a fórmula perfeita para a produção em larga escala com custo competitivo aos combustíveis atuais.

No mercado, essa tecnologia tem sido chamada de segunda geração (o etanol feito de fontes primárias é de primeira geração) ou etanol de celulose. O processo consiste em usar enzimas, micro-organismos ou ácidos para separar os açúcares existentes na biomassa e a partir daí produzir o combustível. O potencial é elevado, mas ainda há dúvidas em relação ao tempo para transformar os testes em produção comercial.

Todos os avanços e desafios da nova tecnologia serão expostos a partir de amanhã na segunda edição do Etanol Summit, que contará com cerca de 130 palestrantes de várias partes do mundo, incluindo o ex-presidente americano Bill Clinton, um entusiasta dos biocombustíveis. Eles darão um panorama de quando essa tecnologia poderá sair do papel.

Nos Estados Unidos, as pesquisas do etanol de segunda geração começaram há algum tempo e foram reforçadas pela nova política energética que estabelece limite para o uso do etanol feito a partir do milho com tecnologia convencional. A produção, que hoje está em 40 bilhões de litros, poderá chegar a 57 bilhões. Para complementar a oferta, que atingiria 136 bilhões de litros em 2022, seria usado o etanol de segunda geração e outros biocombustíveis, afirma o presidente da União da Indústria da Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank.

Embora o consumo de combustível do país tenha caído por causa da crise econômica, grandes empresas mantiveram suas pesquisas. Até porque a meta do governo americano é produzir no ano que vem cerca de 400 milhões de litros de combustíveis de segunda geração. Ásia e Europa também desenvolvem tecnologias, que estão sob segredo industrial. Além do discurso sobre o aquecimento global, o objetivo da busca por um novo biocombustível é diminuir a dependência do petróleo.

No Brasil, por causa do enorme potencial de crescimento do etanol de primeira geração, a corrida tecnológica ainda está um pouco mais lenta e com orçamentos mais modestos comparados aos do mercado externo, que tem irrigado as pesquisas científicas com bilhões de dólares. Apesar disso, alguns empreendedores acreditam que possam sair na frente para manter a liderança brasileira no mundo dos biocombustíveis.

"O etanol de segunda geração, a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar, teria capacidade para dobrar o volume de etanol produzido no País com a mesma área plantada", diz Marcos Jank, destacando que este ano o setor alcançará 27 bilhões de litros. Foi de olho nesse potencial que o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) firmou uma parceria com a dinamarquesa Novozymes Latin America, especialista em enzimas industriais.

Juntos, inauguraram em janeiro uma usina piloto, com capacidade para produzir 200 litros de etanol de segunda geração. A rota tecnológica usada chama-se hidrólise enzimática, em que as moléculas de celulose são transformadas em açúcares por meio de enzimas.

Hoje o grande desafio é evitar que essas enzimas encareçam demais o produto final, diz o presidente regional para América Latina da Novozymes, Pedro Luiz Fernandes. Segundo ele, a tecnologia já existe, mas, além do custo, ela exige aperfeiçoamentos e ajustes. "Em meados de 2010, esperamos apresentar um modelo financeiro para vender essa tecnologia."

Um dos ajustes que ela terá de fazer até lá refere-se ao tempo que a enzima leva para transformar a celulose em açúcar. "O ideal seria ter um ciclo de 24 horas, como ocorre no etanol tradicional", afirma o diretor superintendente do CTC, Nilson Boeta. A expectativa dele é que em três ou quatro anos a tecnologia esteja dominada, para produção em escala industrial.

O executivo acredita que, superada a fase de aperfeiçoamento tecnológico, o Brasil terá enorme competitividade no etanol de celulose, já que a matéria-prima não exige logística. "Ela está ali, na própria usina. Nos Estados Unidos, a palha e o sabugo do milho ficam no campo."

Na Dedini, líder na fabricação de equipamentos para o setor sucroalcooleiro, a rota tecnológica adotada é a hidrólise ácida. Com estudos iniciados há cerca de 20 anos, a produção do etanol de celulose já passou pelos estágios de laboratório e piloto. Hoje a empresa espera firmar alguma parceria para iniciar uma fase semi-industrial. "A fabricação do etanol já existe. O problema é o custo", diz o vice-presidente de tecnologia e desenvolvimento da empresa, José Olivério. Segundo ele, o combustível custa, pelo menos, o dobro do etanol comum.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) também entrou na corrida pela nova tecnologia do etanol de celulose e desenvolveu um tipo de enzima para o processo. Os testes já devem entrar em escala de demonstração (antes da escala industrial). "Tínhamos duas alternativas: comprar a tecnologia ou entrarmos numa agenda de desenvolvimento. Ficamos com a segunda opção", disse o chefe-geral da Embrapa, Frederico Durães. Segundo ele, a Embrapa fechou acordo com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para criar uma Empresa de Propósito Específico (EPE) para desenvolver negócios nessa área.

O MERCADO SUCROALCOOLEIRO, SUA HISTÓRIA E O MOMENTO DE GLÓRIA.



Vide parte 2.

4. Oportunidades no Negócio Álcool

4.1 Em 2005, a produção mundial de combustíveis foi de 101,1 bilhões de Gigajoules (BJG). Destes, apenas 1,1 BGJ foi proveniente de fontes renováveis, sendo 11% o biodiesel e 89% o etanol. Pode-se verificar pela figura 10, que na produção e uso de etanol, a cana de açúcar representa quase 50%.

Figura 10: Produção mundial de combustíveis

Fonte: F.O.Licht’s,FAO, Oil World, LCM, EIA Apud Icone,2006, Elaboração: PENSA

4.2 Segundo a F.O.Licht’s, a produção mundial de etanol cresceu em média 11,36% a.a., entre 2002 e 2006. Os principais países produtores são Estados Unidos e Brasil, que juntos responderam por 70% da produção mundial. Em 2005, os Estados Unidos produziram 16,1 bilhões de litros (35,1% da produção mundial) e o Brasil produziu 15,9 bilhões de litros (34,8% da produção mundial). China foi o terceiro maior produtor em 2005, com 8% da produção mundial.

4.3 Entre 2000 e 2005, o crescimento médio da produção brasileira foi de 13% aa., enquanto o crescimento da produção americana foi de 40% aa. Em 2005, o Brasil perdeu o título de maior produtor mundial para os EUA, conforme atesta a F.O.Licth’s e Única.

4.4 No Brasil, o álcool hidratado foi o mais produzido durante todo o período de 1982 e 2000. A partir daquele ano, o álcool anidro foi mais produzido do que o hidratado. No entanto, entre 2005/2006, a produção de álcool hidratado voltou a ser levemente superior que a produção do álcool anidro.

4.5 A cana-de-açúcar brasileira é extremamente competitiva na produção de etanol, produzindo mais de 6 mil litros de etanol por hectare, conforme dados do IEA. A beterraba, na União Européia, produz 5,5 mil litros; a cana de açúcar na Índia, 5,2 mil litros; o milho nos EUA, 3,1 mil litros; e o trigo na UE, 2,5 mil litros de etanol por hectare.

4.6 Por isso, o etanol brasileiro apresenta do menor custo de produção do mundo, que é de US$0,22 por litro de etanol anidro, contra US$ 0,30 nos EUA (milho), US$ 0,45 na UE (grãos), US$ 0,53 por litro na UE (beterraba) (Dados F.O. Licht’s).

4.7 Dos 27 estados brasileiros, praticamente 21 são “importadores” (dos Estados produtores) e somente 6 exportadores de etanol. Alguns estados, como Paraná e Minas Gerais, são produtores e importadores. Segundo a Única, em 2005/2006, os 5 maiores produtores foram responsáveis por 85% da produção nacional de etanol, sendo eles: São Paulo, com participação de 62%, Paraná (7%), Minas Gerais (6%), Mato Grosso (5%) e Goiás (5%).

4.8 Em 2005, a exportação total de etanol no mundo foi de 6,0 bilhões de litros. Brasil, União Européia, Estados Unidos e África do Sul são os maiores exportadores. A importação total de etanol no mundo, no mesmo período, foi 5,3 bilhões de litros. A União Européia, participa com 23% das exportações mundiais, mas também tem participado com 37% nas importações mundiais. Ao mesmo tempo, os EUA que participa com 7% das exportações, também contribuem com 15% das importações mundiais. Isso se deve muito as diferenças dos países e estados na sua capacidade de produção e facilidade de importação e exportação.

4.9 Apesar do Brasil não importar etanol, as importações na América Latina cresceram em média 13% a.a. e, em 2005, representando 12% das importações mundiais, conforme mostra a figura 11.

Figura 11: Fluxos de comércio - Importação e Exportação de Etanol

Elaborado pelo PENSA com base nos dados da F.O Licht,

4.10 Conforme dados do SECEX, em 2005, a exportação total brasileira de etanol foi de 2,59 bilhões de litros, ou seja, US$ 764 milhões. O Preço Médio FOB foi de US$ 294,29 /m3. Ao todo, o etanol brasileiro teve acesso a 47 países. Em 2005, por exemplo, a exportação brasileira de etanol foi destinada, principalmente, para Índia e Países do Caribe.

4.11 Em 2006, a exportação brasileira de etanol foi maior para os Estados Unidos, que importou mais de 1,7 milhões de m3 de etanol brasileiro. Isso ocorreu em função da elevação do preço do milho no mercado americano, fato que não deve se repetir na próxima safra.

4.12 As exportações brasileiras de etanol, até 2001, representavam um valor pequeno em relação à produção. Em 2005, as exportações totais atingiram 2,5 milhões de m3 e, em 2006, esse número chegou próximo à 3,6 milhões de m3. A previsão é que as exportações e produção cresçam nos próximos anos, atingindo, respectivamente, 5 milhões de m3 e 26 milhões de m3, em 2010. A figura 12 apresenta esse histórico e projeções.

Figura 12: Produção de Etanol Brasileiro X Exportação - Brasil

Fonte: MAPA, SECEX, SCA

4.13 No entanto, isso ainda não impede o protecionismo dos países desenvolvidos. Conforme estudo do IEA (2004), a Austrália tem uma tarifa de US$0,24 por litro de álcool (forte produtor de álcool de cana); os EUA, US$0,14/L (sem perspectiva de queda até 2009 em função de lei nacional); a União Européia, US$ 0,10/ L (com perspectiva de exigência de certificação ambiental); e Canadá, US$ 0,07/ L (forte produtor de álcool de milho). O próprio Brasil tem uma tarifa à importação de álcool de US$ 0,07 por litro.

4.14 Na avaliação da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a retirada da tarifa norte-americana sobre a importação do etanol brasileiro seria um “desastre” para os dois países. Isso aumentaria o risco de falta álcool para o mercado nacional e ocorreriam prejuízos para a indústria norte-americana de milho.

Isso, contudo não quer dizer que os países não estão implementando programas de adoção de etanol na matriz de combustíveis. Segundo a AgroAnalysis, os EUA têm como meta reduzir o consumo de gasolina em 20% até 2017, o que representa 132 bilhões de litros de etanol, com incentivo federal a produção de US$ 0,14 por litro e alguns incentivos estaduais.

4.15 Além disso, segundo o Worldwatch Institute (WWI), no Japão, há uma permissão de adição de 3% de etanol na gasolina e uma meta de 20% de biocombustíveis até 2030. O governo ainda não aumentou o uso do etanol por receio de que os principais produtores não consigam suprir a demanda. No Canadá, 45% da gasolina consumida deverá conter 10% de etanol até 2010. Na UE, há uma meta de consumo de biocombustíveis de 5,75% até 2010 e 10% até 2020 (hoje é 2%), e diversas isenções fiscais em cada estado membro.

4.16 O mundo em desenvolvimento também vem seguindo o mesmo caminho. A Índia adotou uma mistura compulsória de 5% de etanol na maioria do país. Pode chegar a 10% e 20%. A China colocou em vigor uma mistura compulsória de 10% em cinco províncias, detentoras de 16% da frota de veículos do país.

4.17 Com relação a demanda futura de etanol, o NIPE/ Unicamp realizou uma simulação de substituição de 10% de gasolina por etanol. Os resultados revelam a produção necessária de 152 bilhões de litros de etanol/ano para atender a demanda atual (2002) e uma produção futura de 225 bilhões de etanol/ano (2025).

4.18 Em março de 2003, o carro bicombustível foi lançado no mercado nacional. A sua importância ocorre por transferir ao consumidor o poder de decisão sobre qual combustível usar, independente da falta de produto ou aumento de preços. Nesse ano, sua participação sobre o total de veículos vendidos foi de 6,8%. Em 2006, essa participação passou a ser de 86%.

4.19 Em unidades, em 2006, as vendas de carros flex no Brasil foram de aproximadamente 2 milhões de unidades. As vendas de carro à gasolina, por sua vez, totalizaram 15 milhões de unidades. Em 2007, a previsão é que a venda de carros flex aumente, e passe a ser maior do que 3 milhões de unidades. A venda de carros à gasolina, por outro lado, deve diminuir ainda mais.

4.20 De uma maneira geral, o preço na bomba do etanol é influenciado pelo preço do produtor, misturas exigidas por lei (álcool anidro na gasolina - 20%), custo da logística de distribuição e carga tributária. No entanto, o que influencia efetivamente o consumo são os preços relativos dos diferentes tipos de combustíveis, o consumo por Km do veículo e a frota (lançamento dos veículos flex, proibição de veículos leves a diesel etc).
Continuação em breve!