Terça-feira, Novembro 03, 2009

O ex-usineiro.



Ao invadir novos mercados, o empresário Rubens Ometto, dono da Cosan, cada vez mais se afasta de seu tradicional perfil de grande produtor de açúcar e álcool


No dia 16 de outubro, os 180 principais executivos da Cosan, maior processadora de açúcar e álcool do país, foram reunidos para uma videoconferência transmitida da sede, em São Paulo. Na condução da reunião estava Rubens Ometto, o controlador da empresa. Os trabalhos começaram com um anúncio simbólico do que viria pela frente. A partir daquele momento, disse Ometto, "a meninada tomaria conta do dia a dia". O cargo de presidente, ocupado por ele por mais de 20 anos, passaria para Marcos Lutz, até então principal executivo da área de logística da Cosan. Ometto se dedicaria a liderar o conselho de administração.

O rito de passagem do cargo, porém, era o prenúncio das grandes mudanças que seriam anunciadas na sequência. A Cosan que Lutz assumia naquele momento passaria a ser um grupo formado por cinco grandes unidades dedicadas a negócios que vão de bens de consumo de massa à logística, de produção de energias renováveis à distribuição de combustíveis. Ao final da videoconferência, Ometto havia tornado pública a maior guinada estratégica já feita pela Cosan. A companhia fundada pelo imigrante italiano Pedro Ometto, em 1936, na cidade de Piracicaba, no interior de São Paulo, deixava de ser a usina de cana-de-açúcar que se transformara na maior produtora global de etanol para emergir como um grande conglomerado nacional.

Com esse movimento, Rubens Ometto quer se distanciar da imagem de maior usineiro do mundo - uma imagem real, mas talvez limitada para suas ambições e para a dimensão alcançada pela Cosan nos últimos anos. Em 2008, apenas cerca de um quarto dos 14 bilhões de reais de seu faturamento veio do negócio de açúcar e álcool. "Começo aqui uma nova fase", disse Ometto a EXAME, durante sua primeira entrevista a respeito da reestruturação. "Vou me dedicar a criar novos negócios e vê-los crescer."

Aos 59 anos de idade, Ometto vai continuar a dar expediente das 8 horas da manhã às 19 horas na sede da Cosan, instalada em um prédio comercial na zona sul de São Paulo. Vai manter a mesma sala, no 6o andar. Estará presente, todas as segundas pela manhã, na reunião de diretoria. Também não deixará de telefonar a qualquer momento - "no máximo até as 11 horas da noite" - para discutir questões urgentes com seus executivos. Entre as poucas alterações que pretende fazer em seu dia a dia está a retomada de um antigo hábito: tirar um dia por semana para visitar pessoalmente alguma das instalações do grupo. "Estava muito trancado no escritório. Agora, quero aproveitar para visitar os negócios da Cosan e conhecer novas ideias em energia renovável fora do Brasil." Em suma, Rubens Ometto continuará a ser Rubens Ometto. Mas a Cosan terá de mudar.

A virada estratégica da companhia começou há pouco mais de dois anos. Na época, a Cosan já não era mais apenas uma processadora de cana. Além de fabricar açúcar e álcool, a empresa investia em terras agrícolas e terminais no porto de Santos. Mas precisava de recursos para apoiar a expansão. Num movimento controverso, Ometto decidiu anunciar aos investidores com ações da companhia na Bovespa que estava criando uma nova empresa, com sede nas Bermudas, para fazer uma oferta inicial de ações em Nova York. A decisão levantou dúvidas sobre a governança, mas permitiu à Cosan, obter 1,2 bilhão de dólares na bolsa americana - sem diluir demais o controle, o que poderia deixá-la vulnerável a uma oferta hostil. Assim, a companhia teve fôlego para dar o maior passo de sua história: comprar os 1 500 postos de combustível da americana Esso no Brasil, por 954 milhões de dólares, em abril do ano passado.

O movimento fez com que, de um dia para o outro, o faturamento mais do que triplicasse. Com os postos, a Cosan. incorporou 85 executivos da Exxon Mobil, maior empresa de capital aberto do mundo e antiga controladora da Esso no país. A chegada desse time - e de outros 100 executivos contratados em empresas como TIM, Vale e CSN - deu um novo perfil à administração. "Decidi sair quando tive a certeza de ter pessoas preparadas para assumir todos os postos importantes", diz Ometto.

A lógica por trás da expansão está, em primeiro lugar, na busca por um fluxo de caixa estável, algo raro no setor sucroalcooleiro - no primeiro semestre, 11 empresas desse setor estavam em recuperação judicial. No primeiro trimestre deste ano (que encerrou a safra 2008/2009), por exemplo, a unidade de açúcar e álcool da Cosan registrou um prejuízo de 473,8 milhões de reais, mesmo com a produção recorde de 44 milhões de toneladas de cana. A explicação está na valorização do real e na queda do preço do açúcar e do álcool no mercado internacional, que corroeram as margens. "Não queremos continuar a nos expor apenas às incertezas do mercado de commodities", diz Marcelo Martins, diretor financeiro e de relações com investidores da Cosan.

Além disso, separar cada um dos negócios em empresas independentes pode ajudar a atrair investidores. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a Radar, criada há dois anos para investir em terras agrícolas. Em 2008, a Cosan conseguiu um aporte de um fundo americano (o valor e o nome do fundo não são revelados). Agora, com uma divisão mais clara entre as empresas, a ideia é multiplicar esse tipo de operação.

Todos esses novos negócios nascem grandes -- graças a um providencial impulso do negócio tradicional da Cosan. A caçula do grupo, a recém-criada Rumo Logística, por exemplo, nasceu em outubro deste ano já como a maior exportadora de açúcar e álcool do mundo. Com dois terminais no porto de Santos, no litoral de São Paulo, a Rumo tem capacidade para exportar 9 milhões de toneladas de açúcar. Por enquanto, o transporte da carga até os terminais é feito em parceria com a ALL, mas a Rumo tem investimentos previstos de 1,2 bilhão de reais para a compra de trens e navios próprios nos próximos cinco anos. O objetivo é ser um dos grandes competidores globais no transporte e na exportação de produtos agrícolas. Na Cosan Alimentos, que detém mais de 50% do mercado de açúcar refinado com marcas como Da Barra e União, e na Radar, que já investiu 700 milhões de reais na compra de terras com alto potencial de valorização, os planos são igualmente grandiosos.

A orientação de diversificar as receitas fica evidente mesmo dentro do negócio de açúcar e álcool. A unidade deve investir 2,4 bilhões de reais até 2012 na geração de energia elétrica. Hoje, todas as suas 23 usinas utilizam o bagaço da cana-de-açúcar descartado durante a moagem para esse fim. Mas apenas seis delas conseguem vender o excedente. Até 2012, outras cinco devem aderir à prática. "Quando todas as usinas estiverem adaptadas, vamos produzir o equivalente a 10% da energia gerada na hidrelétrica de Itaipu", diz Pedro Mizutani, principal executivo da unidade de açúcar e álcool.

Para isso, a Cosan vai montar o próprio centro de pesquisa, que deve ficar pronto no fim de 2010. O primeiro alvo, com investimentos de 13 milhões de reais, será o desenvolvimento de um sistema eficiente para gerar energia da palha da cana-de-açúcar, ainda inédito no Brasil. "Com essas mudanças, a Cosan está mais preparada para crescer no promissor mercado de energia renovável", afirma o analista Erick Scott, da corretora SLW. O crescimento nos próximos anos inclui ainda a prospecção de oportunidades fora do Brasil.

Um executivo próximo à Cosan afirma que um dos projetos em estudo prevê a exportação de etanol pelo Caribe para fugir das sobretaxas cobradas pelos Estados Unidos ao produto brasileiro. Por trás de todos esses projetos, fica clara que a estratégia de Ometto é muito diferente da maioria das empresas de açúcar e álcool do país. "Nunca me vi como um usineiro à moda antiga. Sempre fui um rebelde", diz. Apesar dos atritos que a rebeldia costuma gerar, até agora tem dado certo.

Fonte: Revista Exame - Ed. 955 - 4/11/2009 - Negócios Expansão - pág. 46/49

Gestor para pequenas usinas.






O recente movimento de consolidação que envolveu grandes usinas de açúcar e álcool no País acena agora com uma nova etapa, com a criação da Expressão Gestão Empresarial. A companhia formada por três experientes executivos do setor pretende, em um primeiro momento, captar US$ 200 milhões junto a investidores privados no exterior para comprar, modernizar, consolidar e, posteriormente, vender usinas de pequeno e médio porte.

Os recursos serão captados por um fundo de investimento privado (FIP) com assessoria financeira da Templar Gestão e Investimentos (TGI). "Devemos fazer o road show em cerca de dois meses", contou Eduardo Pereira de Carvalho, um dos três sócios da Expressão, juntamente com Clayton Miranda e Roger Haybitle. Os três não são novatos no setor.

Carvalho foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e Miranda ocupou a presidência da Coimex Trading. Os dois e Haybitle participaram da criação da CZRE, empresa que originou o projeto de polos de usinas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, depois incorporado na criação da ETH Bioenergia, com recursos da Odebrecht.

Carvalho explicou que existe no mercado sucroalcooleiro um número elevado de usinas com problemas que não despertam interesse de grandes companhias devido ao seu porte. "As pequenas fogem do radar das grandes porque são pequenas ou porque estão defasadas tecnologicamente", afirmou Miranda.

O executivo contou que o objetivo é captar recursos num horizonte de médio prazo para adquirir participações nestas usinas, reestruturá-las tecnologicamente e também reorganizar sua gestão. Para isso, será necessário que a Expressão detenha o controle da gestão, mesmo que não haja o controle acionário. "O objetivo é dar uma gestão única para esta série de usinas pequenas", disse.

A expectativa é criar um grupo com capacidade de moagem de cerca de 10 milhões de toneladas por ano. "Estas usinas não precisam estar próximas ou formar um polo com sinergia. A ideia não é essa. O objetivo é unificá-las através de uma gestão homogênea. Se apresentarem sinergia, é lucro", afirmou.

A ideia do empreendimento surgiu quando o trio de executivos recém-saídos da ETH notou o número expressivo de usinas pequenas com problemas. Ao mesmo tempo, eles constataram que estas empresas não estavam no leque de interesses de grandes usinas. "São empresas com baixa produção ou que precisariam de revitalização tecnológica. Começamos, então, a pensar num novo modelo de consolidação", disse.

Carvalho ressaltou que o grupo mapeou um universo de cerca de 40 usinas em dificuldades financeiras, sua localização e a influência de grandes grupos sobre elas, além da capacidade de expansão de área plantada. "Fizemos uma triagem conservadora de potenciais usinas, considerando a questão logística", explicou Miranda. Desta triagem, surgiu o grupo de 12 usinas que estão em diferentes estágios de negociação neste momento.

Miranda lembrou que, no modelo de negócio, será oferecido aos atuais proprietários a continuidade na participação no negócio, seguindo um modelo bem sucedido nas usinas que formaram a ETH. Cada usina tenha uma negociação própria. Com a aquisição das usinas, o próximo passo será investir na adequação tecnológica e na organização da gestão.

O executivo acrescentou que a abertura de capital da empresa consolidada não está descartada, já que a ideia é criar uma holding que abarque todas as usinas menores.


Fonte: Jornal do Commercio - RJ

Etanol no Zimbábue.




O Ministério da Agricultura informou que um grupo de empresários do Zimbábue adquiriu uma usina de etanol localizada em Diamantina (MG) para desmontá-la e transportá-la para o país africano. O investimento total chegou a US$ 220 milhões.

Com a transação, os empresários do Zimbábue começam a se preparar para abocanhar mercado em consequência dos planos do governo do país de desenvolver seu setor energético até 2020. Até lá, a meta é que o Zimbábue esteja produzindo cerca e 1 bilhão de litros de etanol por safra.



Fonte: Valor Econômico


Operação de Venda realizada pela E-Machine Comercial Ltda.

Consolidação chega às pequenas usinas de cana.



Enquanto o setor de açúcar e álcool nacional vive um momento de consolidação das grandes empresas, com a criação de gigantes mundiais, três experientes executivos do setor resolveram apostar na consolidação de usinas de pequeno e médio porte. Eduardo Pereira de Carvalho, Clayton Miranda e Roger Haybittle, os três egressos da ETH Bioenergia, criaram sua própria empresa, a Expressão Gestão Empresarial, e pretendem, em um primeiro momento, captar US$ 200 milhões com investidores privados no exterior para comprar, modernizar, consolidar e, posteriormente, vender usinas de pequeno e médio porte. Os recursos serão captados por um fundo de investimento privado (FIP), com assessoria financeira da Templar Gestão e Investimentos (TGI). "Devemos fazer o road show em cerca de dois meses", disse Carvalho.

Os três sócios têm uma longa vivência nesse setor. Carvalho foi presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e Miranda ocupou a presidência da Coimex Trading. Os dois e Haybittle participaram da criação da CZRE, empresa que originou o projeto de polos de usinas em São Paulo, Mato Grosso do Sul e Goiás, depois incorporado na criação da ETH Bioenergia, controlada pelo grupo Odebrecht.

Carvalho explicou que existe no mercado sucroalcooleiro um número elevado de usinas com problemas que não despertam interesse de grandes companhias por causa de seu porte. "As pequenas fogem do radar das grandes porque são pequenas ou porque estão defasadas tecnologicamente", afirmou Miranda.

O executivo contou que o objetivo é captar recursos num horizonte de médio prazo para adquirir participações nas usinas, reestruturá-las tecnologicamente e também reorganizar sua gestão. Para isso, será necessário que a Expressão detenha o controle da gestão, mesmo que não haja o controle acionário. "O objetivo é dar uma gestão única para esta série de usinas pequenas", disse.

A expectativa é criar um grupo com capacidade de moagem de cerca de 10 milhões de toneladas por ano. "Essas usinas não precisam estar próximas ou formar um polo com sinergia. A ideia não é essa. O objetivo é unificá-las por meio de uma gestão homogênea. Se apresentarem sinergia, é lucro", afirmou.

Carvalho ressaltou que o grupo mapeou um universo de cerca de 40 usinas em dificuldades financeiras, sua localização e a influência de grandes grupos sobre elas, além da capacidade de expansão de área plantada. "Fizemos uma triagem conservadora de potenciais usinas, considerando a questão logística", explicou Miranda. Dessa triagem, surgiu o grupo de 12 usinas que já estão em diferentes estágios de negociação neste momento.

O modelo de negócio, segundo especialistas, tende a dar certo. O consultor Plínio Nastari, presidente da Datagro, acredita que o setor precisa de novos modelos de consolidação para os pequenos. Segundo ele, a saída para que as pequenas usinas consigam competir com as maiores é exatamente a união entre elas.



Fonte: O Estado de S. Paulo

Grandes grupos ocupam o espaço de famílias tradicionais nas usinas.




Durante décadas, eles protagonizaram uma história cheia de sucesso e polêmica em uma das atividades mais antigas do Brasil: a produção de açúcar e álcool. Desenvolveram o maior e mais eficiente programa de biocombustível do mundo, fizeram fortuna, ganharam os holofotes do mercado internacional e despertaram a cobiça de megainvestidores. Agora, famílias tradicionais, cujo sobrenome virou sinônimo da indústria sucroalcooleira, começam a se tornar meros coadjuvantes de uma história que volta a ser reescrita e tem como mote a concentração e os ganhos de escala.

O mais recente capítulo dessa nova fase do setor é a megatransação entre a Santelisa Vale - das famílias Biagi e Junqueira Franco - e a Louis Dreyfus Commodities (LDC) Bioenergia. Com a operação, a gigante francesa passa a ter 5,1% do setor e sobe ao segundo lugar no ranking dos maiores grupos do País. A LDC perde apenas para a Cosan (9,3%), a maior produtora de açúcar e álcool do mundo, da família Ometto, que se uniu ao Grupo Nova América, dos Resende Barbosa.

Em menos de uma década, a participação dos cinco maiores grupos do setor subiu de 12% para 21,54%. Em cinco anos, esse número pode chegar a 40%, avaliam especialistas. O avanço alcançado até agora foi resultado de 99 fusões e aquisições entre 2000 e 2009 na indústria sucroalcooleira, segundo dados da consultoria KPMG.

Nesse processo, famílias como Junqueira Franco, Biagi, Vieira, Tavares de Melo e Resende Barbosa cedem seus lugares a novos personagens. Entre eles, Dreyfus, Tereos, ETH (da Odebrecht), Bunge, Cargill e Adecoagro (do megainvestidor George Soros), além da gigante Cosan. Nos próximos meses, alguns deles vão fazer barulho em três grandes negócios em andamento no setor.

Os grupos Moema, Equipav e Brenco, responsáveis pela moagem de mais de 20 mil toneladas de cana, devem ser comprados ou incorporados. A americana Bunge é a mais cotada para levar a Moema, de Maurílio Biagi, e a ETH já assinou memorando de entendimento de fusão com a Brenco. No caso da Equipav, pelo menos nove empresas, entre elas a Bunge, são candidatas a aquisição dos ativos.

"Todo mundo está de olho na gente. Somos um dos melhores ativos do País", avalia Maurílio Biagi Filho, sócio da Moema, o quinto maior grupo do setor. O usineiro é irmão de Luiz e André Biagi, que venderam a Santelisa para a Dreyfus. Se o negócio com a Moema for fechado, o clã Biagi, cuja primeira usina foi fundada em 1931, praticamente passa a ter uma participação minoritária no setor. "Ainda temos umas usininhas por aí", comenta Maurílio.

Ele acredita que a tendência de consolidação deve continuar nos próximos anos, mas dificilmente o setor será concentrado como nos demais segmentos. Hoje a indústria de açúcar e álcool conta com mais de 400 usinas comandadas por mais de 200 grupos, diz o diretor da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Eduardo Leão.

Ele explica que a crise internacional iniciada no ano passado castigou o setor, que estava altamente endividado, em especial em moeda estrangeira, por causa de novos investimentos. Entre 2006 e 2009, quando o etanol ganhou importância no contexto contra o aquecimento global, foram injetados no setor US$ 20 bilhões.

Muito endividadas no curto prazo, muitas empresas tiveram problemas de liquidez uma vez que o mercado de crédito mundial se fechou. "Isso provocou uma queda significativa no preço dos ativos e facilitou o "bote" dado pelas multinacionais, capitalizadas", diz o presidente do Sindicato de Açúcar e Álcool de Minas Gerais, Luiz Custódio Cotta.

Segundo ele, mesmo antes da crise, alguns produtores estavam insatisfeitos com os preços do etanol e aproveitaram as oportunidades. Entre eles, estava a família Tavares de Melo, produtores tradicionais do Nordeste. Uma ala da família vendeu cinco usinas para a Dreyfus e encerrou 78 anos de atividades no setor. O grupo decidiu se concentrar em outros negócios, como o de sucos.

Outra clã tradicional que não resistiu às investidas dos estrangeiros foi a família Vieira, dona da Usina Monte Alegre, em Minas Gerais. A empresa tornou-se sócia minoritária do megainvestidor George Soros, dono da Adecoagro. "Nosso negócio ficou mais capitalizado com essa associação. Durante a crise, sofremos menos que outras companhias do setor", afirma o diretor da Adecoagro, Marcelo Vieira, cuja família fundou a Monte Alegre em 1917.

"Precisamos juntar o capital do investidor estrangeiro com a experiência dos grupos nacionais, essenciais para o sucesso dos empreendimentos", avalia Vieira. Mesma opinião tem o consultor Eduardo Pereira de Carvalho, ex-presidente da Unica e ex-diretor da ETH: "Existem alguns preconceitos no Brasil que precisam ser eliminados. Um deles é contra o capital estrangeiro. O País não tem poupança suficiente para bancar todos os investimentos."

Na avaliação dele, que tem trabalhado em alguns negócios, o setor está mudando de dimensão. Ou seja, deixou de ser um produtor local para entrar no universo dos combustíveis, no mundo da energia. Ele acredita que, muito em breve, o plano de algumas petroleiras de estrear no setor se tornará realidade. Oportunidades não faltarão, garante.

Neste momento, as operações envolvem grandes ativos. "Mas os pequenos usineiros terão seu momento. Nós, por exemplo, estamos de olho nas usinas menores." O sócio da KPMG, André Castelo Branco, acredita que as grandes operações continuarão a ocorrer nos próximos meses, até porque ainda há empresas em dificuldades. Para ele, daqui pra frente o setor será mais corporativo e menos familiar. "Mas esse será um processo gradativo."



Fonte: O Estado de S. Paulo

Brazil giant eyes Angola ethanol project.




Africa’s massive land mass and rich feedstocks have attracted the attention of Brazilian industrial giant Odebrecht.

The company is planning to inject $220million (€149 million) into sugar and ethanol production in Angola amounting to the production of 30 million litres of ethanol a year.

The Brazilian company has set up a joint venture, Biocom, with the Angolan state-owned oil firm Sonangol and private company Damer.

The company intends to farm sugarcane on 30,000 hectares of land in Malange province, some 400 km east of the capital Luanda. A processing plant for sugar and ethanol production will also be set up, and is expected to have an annual processing capacity of 260,000 tonnes of sugar.

The fibrous parts of the sugarcane, as well as the heat from the plant, will be utilised for the production of electricity, with an expected generation capacity of 47MW.

After 27 years of civil war, Angola’s agricultural sector is in need of revitalisation.

Source: Biofuels International