Segunda-feira, Março 01, 2010

Etanol deve virar ´commodity´.




Após 35 anos, o Brasil deu o salto para transformar o etanol numa commodity (mercadoria) com valor negocial internacional. O álcool feito de cana-de-açúcar usado como combustível obteve da Agência de Protecção Ambiental dos EUA a avaliação do seu grau de redução na emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina: 61%.

O valor é muito superior ao etanol feito de milho - produzido nos EUA - que apenas alcança redução de 21%, e ultrapassa o celulósico, que está em desenvolvimento e não chega a 60%. A importância da decisão é que abre o mercado norte-americano de 40 mil milhões de litros anuais ao etanol brasileiro e deverá servir como certificação para outros mercados.



Hoje, o etanol é utilizado principalmente como aditivo para a gasolina, numa percentagem que pode chegar nos automóveis normais a 20%. Este torna o combustível menos poluente e substitui o chumbo, que era usado até há alguns anos e é altamente poluidor.

No Brasil, desde 1979, são produzidos veículos que em vez de gasolina usam álcool. A partir dos anos 90, surgiram os veículos flex, que funcionam tanto com gasolina como com uma mistura de até 15% de etanol. No Brasil, foi desenvolvido o total flex, que detecta electronicamente o combustível e pode funcionar com qualquer quantidade de etanol, até 100%.

Para chegar aos 61% menos poluente, foi analisada não só a utilização do etanol como combustível mas as consequências do uso da terra para plantar cana-de-açúcar. Foi necessário desmentir que esta cultura seja responsável pelo desmatamento da Amazónia tanto directa como indirectamente, expulsando para lá outras culturas e a pecuária. Há no Brasil terra suficiente para acomodar as outras produções fora da Amazónia.

Além disso, a energia utilizada nas fábricas de cana é produzida a partir da biomassa gerada pelo bagaço da cana depois de moída, o que torna a sua produção mais limpa - na maior parte das fábricas de etanol a partir de milho, a energia utilizada é o gás natural.

No entanto, decisão da Agência de Protecção Ambiental norte- -americana surge num momento em que a produção de etanol brasileiro está em queda, devido ao aumento do preço do açúcar, desencorajando o uso da matéria- -prima para produzir combustível.

Fonte: Diário de Notícias - Portugal

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