| O presidente Luís Inácio Lula da Silva disse que o setor sucroalcooleiro está amadurecido tecnologica e humanamente e que, por isso, o Brasil não perderá mais a supremacia do setor. "Não há possibilidade do País retroceder. Temos avanço tecnológico, na indústria, temos terra, pesquisa e fotossíntese. Não temos medo de ninguém no mercado agrícola", disse a empresários e técnicos do setor na abertura da XVII Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira e da VIII Feira de Negócios e Tecnologia da Agricultura da Cana-de-Açúcar (Fenasucro&Agrocana), em Sertãozinho, na manhã desta terça-feira (31). É a primeira vez que um presidente do Brasil participa da abertura das feiras. Antes, apenas José Alencar, como presidente em exercício, esteve presente no evento de 2006. Essa foi a quarta vez que Lula visitou Sertãozinho nas contas do atual prefeito da cidade, Nélio Garcia da Costa em 1989 e 1992, quando ainda não exercia cargo público e já como presidente no inicio do mandato, em 2002, para visitar uma usina. Lula chegou acompanhado dos ministros da Agricultura, Wagner Rossi, e de Minas e Energia, Marcos Zimmermann, visitou estandes da feira usando um chapéu, subiu em uma colheitadeira de cana e cortou a faixa inaugural da feira. O candidato a governador do Estado de São Paulo pelo PT, Aloísio Mercadante, acompanhou parte da visita, mas não ficou para ver Lula receber o título de Embaixador da Biodiversidade e ouvir o pedido do presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroalcoleiro e Energético, Adézio Marques, para que não abandone a atenção ao setor e peça para que a sua sucessora (assim mesmo, com A no final) faça o mesmo. DESCULPAS Lula começou seu discurso pedindo desculpas por ser breve, alegando que ainda tinha o compromisso de estar presente na comemoração dos 100 anos do Corinthians. O presidente, que deve ser avô novamente nesta terça, fez votos para seu neto já nasça corintiano. O presidente dispensou as três páginas finais do discurso oficial, mas fez várias improvisações, uma delas para comparar sua relação com os usineiros a um casamento. "Eu sei que muitos tinham medo de mim. Nós também tínhamos medo dos empresários do setor. Mas nunca houve uma relação tão sadia e leal entre usineiros e governo como agora. É como no casamento, você começa a gostar a partir do momento que começa a conhecer a outra pessoa", disse e completou com a afimação de que a relação de políticos com usineiros no passado é semelhante a que hoje, segundo ele, existe com os pastores evangélicos. "Os políticos usavam os usineiros para pedir dinheiro para a campanha, mas depois que ganhavam tinham vergonha de dizer que conheciam. É como acontece com os pastores evangélicos, usam para pedir voto, mas depois tem vergonha de aparecer junto na foto". APOSTA CERTA O presidente disse que seu governo, em 2003, apostou no resgate do Proálcool em um momento desfavorável tanto no cenário interno quanto externo, no qual o etanol estava desacreditado pelos consumidores e abandonado pelo governo, ao mesmo tempo em que o petróleo tinha uma das cotações mais baixas da história. Em sua avaliação, a decisão foi mais que acertada, uma vez que hoje os combustíveis renováveis estão no topo da agenda ambiental mundial. "O Brasil tem credenciais tecnológicas, agrícolas e estratégicas para liderar a escalada do etanol como um dos combustíveis mais usados no mundo", afirmou. Segundo o presidente, em 2020 o etanol será responsável por 20% do uso total de combustíveis no planeta, com um consumo de 210 bilhões de litros. A produção global em 2010, está estimada em 67 bilhões de litros, dos quais o Brasil será responsável pela fabricação de 26 bilhões de litros, um salto de 11% em relação ao ano passado. Lula disse que o que credencia o Brasil para a liderança é, sobretudo, a eficiência da indústria nacional. A produção do etanol brasileiro utiliza menos de 1% da área agrícola do país, e em comparação com o álcool de milho produzido nos Estados Unidos é três vezes mais barato e gera oito vezes mais energia. Essa qualidade tecnológica tem sido ferramenta de acordos com outros países da América Latina e da África. Mas o presidente ressaltou que sem o desenvolvimento humano do setor, os avanços tecnológicos não alcançariam o atual destaque. Segundo Lula, o desenvolvimento do setor nas relações humanas "não aconteceu apenas porque o trabalhador gosta de ganhar mais, trabalhar melhor, viver melhor e ter água gelada, banheiro e energia elétrica. Mas também porque, ao se tornar personagem principal no cenário energético internacional, o Brasil também passou a ser alvo de muitas críticas". Lula disse que faz questão de defender os empresários com a mesma ênfase porque sabe da competitividade internacional e que seu governo trabalhou para derrubar as críticas e os problemas de imagem do etanol brasileiro e tomou medidas para comprovar a responsabilidade na fabricação do etanol brasileiro, como a proibição da construção de usinas nas áreas representativas dos ecossistemas brasileiros, como Amazônia, Pantanal, Cerrado e remanescentes da Mata Atlântica. Segundo o presidente, o desafio futuro a ser alcançado para manter a liderança do setor sucroalcooleiro brasileiro é associar o etanol à sustentabilidade e à justiça social. |
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