Segunda-feira, Março 01, 2010

Asfalto feito com bagaço de cana-de-açúcar será testado no Rio de Janeiro.


Desenvolvida na década de 1960 na Alemanha e hoje utilizada como revestimento de rodovias e aeroportos europeus e americanos, a mistura asfáltica do tipo SMA (Stone Matrix Asphalt) ganhou nova versão no Brasil. Para substituir as fibras de celulose, que normalmente compõem a mistura, pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF), no Rio de Janeiro, criaram um asfalto que utiliza o bagaço de cana-de-açúcar.

Segundo Cláudio Leal, um dos inventores do novo asfalto e o professor do IFF, a técnica reduz o custo do material, além de aproveitar o bagaço de cana-de-açúcar antes descartado. "O bagaço é um recurso renovável e seu preparo exige apenas que ele seja seco e passado em uma peneira", diz.

A função do componente na "receita" é impedir que o cimento asfáltico escorra durante o processo de mistura e aplicação. Por sua maior durabilidade e resistência, o asfalto SMA é recomendado para rodovias de tráfego intenso. No País, a primeira aplicação ocorreu nas pistas do autódromo de Interlagos.

Indústria do etanol rumo à consolidação.




A concentração de empresas indústria de açúcar e álcool, já prevista por analistas e agentes como parte do amadurecimento e da recuperação do setor, tomou fôlego nas primeiras semanas de 2010. As fusões e aquisições na indústria do etanol chamaram atenção por conta da grandiosidade dos negócios. Analistas consideram que a tendência de mega operações deverá se manter ao longo dos próximos anos e ditar novos modelos de atuação das empresas.

Os negócios de incorporações e aquisições, somente neste ano, envolveram a formação da Joint Venture entre a Cosan e a Shell, a compra do Grupo Moema pela Bunge, e união das operações da ETH Bioenergia, empresa do grupo Odebrecht, com a Brenco. Nesta semana, a compra de 50,8% do Grupo Equipav pela indiana Shree Renuka Sugars (SRSL), foi mais uma transação milionária no setor.

A tendência de concentração não é específica da área socroalcooleira, tampouco nova. É a etapa de amadurecimento de uma indústria, onde a consolidação é um movimento normal e esperado após o boom inicial, explica o analista da área de Energia da Ativa Corretora, Ricardo Corrêa.

Resíduos agrícolas vão virar etanol.




O Brasil está mais próximo de se tornar um dos países produtores de etanol de segunda geração. Uma das empresas próximas a viabilizar a produção, a multinacional dinamarquesa Novozymes, que tem um centro de pesquisas em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba, deve apresentar em março duas enzimas, batizadas de Cellic CTec2 (celulase) e a Cellic HTec2 (hemicelulase), que são capazes de produzir o etanol a partir de resíduos agrícolas, como a palha do milho, restos de madeira e bagaço da cana-de-açúcar.

A apresentação no Brasil o produto já foi mostrado nos Estados Unidos, este mês deve acontecer durante o F.O. Licht´s Sugar and Ethanol Brazil 2010, evento voltado para o mercado sucroalcooleiro, previsto para acontecer em São Paulo, de 22 a 24 de março. A proximidade da data anima o presidente da Novozymes Latin America, Pedro Luiz Fernandes. Para ele, com a implantação gradativa da tecnologia, até 2020 o Brasil terá condições de dobrar a produção atual de etanol sem a necessidade de aumentar sequer um metro quadrado da área plantada de cana-de-açúcar.

Etanol deve virar ´commodity´.




Após 35 anos, o Brasil deu o salto para transformar o etanol numa commodity (mercadoria) com valor negocial internacional. O álcool feito de cana-de-açúcar usado como combustível obteve da Agência de Protecção Ambiental dos EUA a avaliação do seu grau de redução na emissão de dióxido de carbono em relação à gasolina: 61%.

O valor é muito superior ao etanol feito de milho - produzido nos EUA - que apenas alcança redução de 21%, e ultrapassa o celulósico, que está em desenvolvimento e não chega a 60%. A importância da decisão é que abre o mercado norte-americano de 40 mil milhões de litros anuais ao etanol brasileiro e deverá servir como certificação para outros mercados.

F.O. Licht´s Sugar and Ethanol Brazil 2010.




A sexta edição do F.O. Licht´s Sugar and Ethanol Brazil 2010 será realizada de 22 a 24 de março, em São Paulo, reunindo representantes do mercado sucroalcooleiro e pesquisadores para discutir perspectivas de mercado, produção, investimento e comercialização. No primeiro dia, serão realizados dois seminários simultâneos: de Tecnologia de Produção de Açúcar e Etanol e de Gestão de Risco em Açúcar e Etanol.

Os seminários contarão com apresentações de Adilson Roberto Gonçalves (Escola de Engenharia de Lorena da Universidade de São Paulo - USP), Jaime Finguerut (Centro de Tecnologia Canavieira) e José Goldemberg (Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP), entre outros.

No segundo dia, entre os temas em destaque estarão "O mercado mundial de etanol - oportunidades para produtores em um mercado acirrado", com apresentação de Christoph Berg, diretor geral da F.O. Licht (Alemanha), "As descobertas do pré-sal mudarão o futuro da política energética do Brasil?", com Ricardo de Gusmão Dornelles, diretor de combustíveis renováveis do Ministério de Minas e Energia, e "A alta dos preços do açúcar estimulam novos investimentos da indústria açucareira do Brasil?", com Marcos Jank, presidente da Unica.

Angel Irazola (Grupo Romero, Peru), Roberto Machado Silva (Petrobras), Karim Salamon (Sucres et Denrées, França) e Robert Vierhout (European Bioethanol Fuel Association, Bélgica) serão alguns dos palestrantes no último dia do evento.

O evento será realizado no Hotel Renaissance, na Alameda Santos, 2233, na capital paulista.

Mais informações: www.informagroup.com.br/ethanol



Fonte: Agência Fapesp

Brasil fica para trás na corrida pela nova economia "verde".


Na corrida global por desenvolvimento científico e ampliação de investimentos ligados à economia de baixo carbono, o Brasil começa a ficar para trás.

Enquanto potências como EUA e China investem centenas de bilhões de dólares na área, vista como a nova fronteira do desenvolvimento mundial, o Brasil nem sequer tem um modelo nacional, afirmam acadêmicos e ambientalistas. No setor privado, negócios verdes esbarram em gargalos como estrutura tributária inadequada, falta de marco regulatório e ausência de incentivo.

Nessa corrida, o país tem as vantagens da biodiversidade e de escolhas feitas no passado (como a aposta no álcool e na hidroeletricidade). No entanto, desperdiça o enorme potencial de fontes de energia, como solar, eólica e de biomassa, e avança lentamente em áreas-chave, como etanol celulósico, segundo especialistas.

Uma referência em bioetanol e bioeletricidade.

O setor sucroalcooleiro ganhou uma publicação de fôlego nos temas bioetanol e bioeletricidade. Resultado de uma série de estudos feitos entre 2005 e 2008, saiu há pouco o livro “Bioetanol combustível – uma oportunidade para o Brasil”, fruto da parceria entre o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Estratégico (Nipe). O livro, com textos de pesquisadores, analistas e consultores, traz recomedações como levar a produção de bioetanol às regiões menos desenvolvidas do país, a necessidade de investimentos em P&D no setor sucroalcooleiro e a criação de instâncias de inovação para construir as bases tecnológicas para a nova indústria de biocombustíveis.

Além de apresentar perspectivas do bioetanol nos mercados brasileiros e mundial, o livro destaca os processos produtivos na fase agrícola e industrial; avalia potenciais para expansão da produção; analisa a infraestrutura atual; aponta cenários tecnológicos; avalia impactos macroeconômicos, riscos do mercado e impactos socioeconômicos relacionados à produção em larga escala. A publicação também dedica capítulos à sustentabilidade, marco regulatório e identificação das necessidades de pesquisa e desenvolvimento e sugestões de financiamento.

Fonte: Ambiente Energia